PF examina possível uso de recursos de banqueiro para custear estadia de Eduardo Bolsonaro nos EUA

Investigadores analisam se transferências ligadas a Daniel Vorcaro, do Banco Master, serviram para despesas pessoais do deputado ou se foram desviadas do projeto cinematográfico sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro
Por: Brado Redação 14.mai.2026 às 14h18
PF examina possível uso de recursos de banqueiro para custear estadia de Eduardo Bolsonaro nos EUA
Foto: Vinicius Loures/Câmara dos Deputados

A Polícia Federal apura indícios de que valores associados ao banqueiro Daniel Vorcaro possam ter financiado gastos de Eduardo Bolsonaro durante sua permanência nos Estados Unidos. Fontes próximas à investigação indicam que uma das vertentes do trabalho busca distinguir se os repasses foram efetivamente direcionados à produção de um longa-metragem ou se essa justificativa serviu apenas de pretexto para movimentações financeiras.

Os agentes concentram esforços em três aspectos principais: verificar a aplicação real dos recursos no projeto audiovisual, identificar eventuais desvios de finalidade e avaliar se parte do montante custeou a manutenção do deputado federal no Texas. Até o momento, Eduardo Bolsonaro não se manifestou publicamente sobre o tema.

Nos bastidores, persistem questionamentos quanto à participação do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) nas tratativas e sobre o destino derradeiro dos valores solicitados. Flávio é pré-candidato à Presidência da República.

A clareza sobre o trajeto do dinheiro tornou-se elemento essencial para dimensionar as ramificações políticas e financeiras em torno de Vorcaro, controlador do Banco Master. Essa linha de apuração ganhou relevância após revelações recentes de conversas trocadas entre Flávio e o banqueiro.

Em 13 de maio, o Intercept Brasil divulgou mensagens nas quais o senador cobra recursos prometidos para o filme “Dark Horse”, uma produção internacional que retrata a trajetória de Jair Bolsonaro, com estreia prevista no Brasil para setembro. O deputado Mário Frias, responsável pela produção executiva, e a empresa GOUP Entertainment emitiram notas negando qualquer aporte do banqueiro na cinebiografia.

Registros do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) revelam que a empresa Entre Investimentos atuou como intermediária em transferências de Vorcaro para o longa. A companhia recebeu R$ 159 milhões de fundos sob escrutínio da PF e conectados ao banqueiro. O contrato global previa R$ 124 milhões, com R$ 61 milhões já quitados pelo dono do Banco Master. Ainda não há detalhes precisos sobre quanto efetivamente chegou à produção.

A possibilidade de emprego dos recursos para sustentar Eduardo Bolsonaro foi destacada em vídeo publicado no Instagram pelo deputado Lindbergh Farias (PT-RJ). Segundo ele, o filme funcionava como “código” nas comunicações entre Flávio e Vorcaro. O parlamentar afirmou que US$ 2 milhões teriam sido enviados a um fundo no Texas, com participação do advogado de Eduardo Bolsonaro, que reside atualmente nos EUA.

A investigação integra um contexto mais amplo de apurações sobre as atividades de Vorcaro, que enfrenta acusações relacionadas a crimes financeiros e outras irregularidades. A PF busca mapear conexões e fluxos para compreender o escopo completo das operações.

Essa apuração reforça o foco das autoridades em rastrear movimentações que possam ligar recursos de origem questionada a figuras públicas, especialmente em meio a projetos culturais usados como argumento para captação. O caso segue em desenvolvimento, com novos elementos podendo surgir conforme avançam os cruzamentos de dados e depoimentos.



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