Lula confirma nova indicação de Jorge Messias ao STF

Presidente diz que vai reapresentar o nome por respeito à prerrogativa presidencial após rejeição no Senado
Por: Brado Redação 29.mai.2026 às 16h31
Lula confirma nova indicação de Jorge Messias ao STF
Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva anunciou nesta sexta-feira que vai indicar novamente o advogado-geral da União, Jorge Messias, para uma vaga no Supremo Tribunal Federal. A decisão reforça a determinação do chefe do Executivo de exercer sua competência constitucional de escolha de ministros da Corte, mesmo depois da negativa anterior pelos senadores.

Durante pronunciamento, Lula lamentou a derrota da primeira tentativa e atribuiu o resultado exclusivamente a motivações políticas, sem qualquer questionamento sobre a capacidade técnica ou a conduta ética do candidato. “Ele não perdeu por falta de competência jurídica, é um dos melhores advogados do país. Também não foi por problema de integridade, pois é uma pessoa honesta. Foi pura questão política”, afirmou.

O mandatário justificou a nova indicação como uma forma de respeitar a função presidencial. Para ele, cabe ao presidente da República indicar e ao Senado avaliar, mas a Casa não deve barrar nomes apenas por conveniência partidária, sem apresentar motivos concretos relacionados a idoneidade ou preparo profissional. “O Senado pode rejeitar se houver incompetência ou ficha suja. O que não se admite é recusar sem explicação razoável”, completou.

A declaração acontece em um momento de forte debate sobre o equilíbrio entre os poderes e a necessidade de diálogo no Congresso Nacional. Lula criticou o ambiente de polarização e intolerância na política brasileira, defendendo a construção de acordos até com adversários quando o interesse maior é o do país. “Para governar, preciso de amigos, de meio-amigos e até de inimigos. Não tenho vergonha de negociar com ninguém quando o projeto é bom para o Brasil”, disse.

A Constituição atribui ao presidente a prerrogativa de indicar ministros do STF, com aprovação final por maioria absoluta do Senado após sabatina. Uma resolução interna do Senado de 2010 impede a reapreciação de nome rejeitado na mesma sessão legislativa, mas o governo avalia que há brechas jurídicas e espaço político para avançar, já que a regra não está prevista na Carta Magna.

Aliados do Planalto consideram o caso um impasse político, e não apenas regimental. Acreditam que a recondução de Messias ganha força com a retomada de conversas com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre. Nos bastidores, o governo chegou a discutir outras opções, inclusive uma indicação feminina defendida por setores do PT e movimentos sociais, mas a ideia perdeu força. Após a rejeição, Messias reuniu-se com Lula, que pediu sua permanência no cargo.

A reapresentação do nome reinicia todo o trâmite de análise no Senado e reacende discussões sobre o papel das indicações políticas no Judiciário e os limites da atuação do Legislativo. Lula posiciona a medida como defesa da autoridade presidencial, evitando que rejeições puramente partidárias esvaziem prerrogativas constitucionais.

O episódio evidencia as tensões atuais entre Executivo e Legislativo, especialmente durante negociações de pautas prioritárias do governo. A estratégia de diálogo defendida pelo presidente busca superar divisões e garantir maiorias em um Congresso fragmentado.

Com a confirmação da nova indicação, fica claro que Lula não pretende recuar diante da primeira negativa. O desfecho dependerá das articulações políticas nas próximas semanas.



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