Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, desembolsou ao menos R$ 11,9 milhões em maio de 2024 para promover uma série de eventos luxuosos em Nova York destinados a entreter políticos e autoridades brasileiras presentes na cidade. Os gastos estão detalhados em planilha apreendida pela Polícia Federal durante a oitava fase da Operação Compliance Zero.
Além da conhecida degustação de uísques e charutos no exclusivo The Carnegie Club, em Manhattan, o banqueiro bancou um jantar no restaurante Nusr-Et, do chef turco Salt Bae, e uma festa privada conhecida como “noite das astronautas”. Nesta última, realizada na suíte presidencial de um hotel, convidados masculinos foram entretidos por mulheres russas e ucranianas vestidas com malhas prateadas e acessórios que simulavam trajes espaciais. Fontes presentes no local confirmaram o caráter exclusivo do evento.
A PF incluiu os valores na representação que embasou as buscas contra o ex-governador do Rio Cláudio Castro (PL) e outros alvos. Apenas os eventos da semana totalizaram mais de US$ 721 mil (cerca de R$ 3,7 milhões na cotação da época), com destaque para US$ 545,2 mil em produção, equipamentos de som, luz e hospedagem de equipe.
A degustação no Carnegie Club, próximo ao Central Park, foi a mais cara: pouco mais de US$ 1 milhão (R$ 5,3 milhões). Vorcaro arcou com a locação do espaço, bebidas liberadas e charutos. Cada convidado recebeu uma garrafa de Macallan 25 anos, avaliada em R$ 30 mil, e uma caixa de charutos. Só em uísques, o gasto chegou a R$ 3,5 milhões.
Participaram da confraternização Castro, o senador Ciro Nogueira (PP-PI) e deputados federais como Hugo Motta (Republicanos-PB), Marcos Pereira (Republicanos-SP), Isnaldo Bulhões (MDB-AL) e Doutor Luizinho (PP-RJ). Na ocasião, vários deles eram cotados para a presidência da Câmara dos Deputados — cargo que Motta assumiu em fevereiro de 2025.
Outro evento foi o jantar no Nusr-Et, famoso por carnes com folhas de ouro. Castro, ao ser convidado por Vorcaro via WhatsApp, respondeu: “Você não existe”. O banqueiro instruiu a equipe a pedir “aquela carne de ouro” para o então governador. A PF também registra um jantar anterior no mesmo restaurante, pago por Vorcaro, no valor de US$ 13,3 mil (R$ 66 mil).
Documentos enviados ao ministro André Mendonça, relator do caso no STF, detalham ainda e-mails com custos de “artistas, performances, logística e gerenciamento” no valor de 526,2 mil euros, além de 109,2 mil euros em taxas. Os pagamentos foram feitos por transferência internacional (wire transfer).
No mês anterior, em Londres, Vorcaro havia custeado outra degustação de uísque no clube George, em Mayfair, durante o Fórum Jurídico Brasil. O gasto foi de US$ 640,8 mil (R$ 3,2 milhões). Estiveram presentes ministros do STF como Alexandre de Moraes e Dias Toffoli, o então ministro da Justiça Ricardo Lewandowski, o diretor-geral da PF Andrei Rodrigues, o procurador-geral Paulo Gonet e o presidente da Câmara Hugo Motta, entre outros.
Os investigadores consideram esses gastos parte do contexto de relacionamento do banqueiro com autoridades, que também inclui suspeitas de influência em aportes de fundos públicos ao Banco Master. Os valores totais foram confirmados em documentos apreendidos no celular de Vorcaro.
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