PF apura rede de empresas ligada a R$ 468 mil em espécie com Sóstenes

Investigadores identificam complexa movimentação financeira e contradições na versão do deputado do PL sobre origem do dinheiro
Por: Brado Redação 01.jul.2026 às 17h20
PF apura rede de empresas ligada a R$ 468 mil em espécie com Sóstenes
Foto: Bruno Spada/Câmara dos Deputados

A Polícia Federal investiga uma rede de empresas e pessoas conectadas aos R$ 468 mil em dinheiro vivo apreendidos no ano passado em endereço ligado ao líder do PL na Câmara, Sóstenes Cavalcante (RJ). A operação realizada nesta quarta-feira mira supostas irregularidades, incluindo possível desvio de recursos da cota parlamentar, e aponta inconsistências na explicação apresentada pelo parlamentar.

De acordo com a PF, o dinheiro foi encontrado com etiquetas bancárias que levaram os agentes a duas empresas do setor de construção: Ejus Empreendimentos Imobiliários e Foco Engenharia e Incorporações. Os investigadores detectaram uma “complexa movimentação financeira”, com recebimento de verbas públicas e elevados saques em espécie, o que gerou suspeitas de ocultação de recursos.

Sóstenes Cavalcante afirmou que o montante seria proveniente da venda de um apartamento em Minas Gerais. No entanto, a PF não encontrou ligação direta entre o dinheiro apreendido, o deputado e a suposta transação imobiliária. Em contrapartida, as apurações revelaram um arranjo empresarial com saques vultosos e estrutura que levanta dúvidas sobre a real origem dos valores.

As empresas investigadas são administradas por uma companhia registrada em nome de um dos irmãos sob suspeita. Elas compartilham endereço, mas ocupam salas diferentes. A Ejus não registra funcionários formais nem veículos em seu nome. Um dos sócios, Jonas Umbelino, controla vasta rede de empresas nos ramos de construção e imóveis. Sua irmã, Jecy, gerencia as operações financeiras do grupo.

Relatórios financeiros identificaram 22 saques nas duas empresas, somando R$ 4,7 milhões. No conjunto das empresas ligadas aos irmãos, foram 81 retiradas em espécie, totalizando mais de R$ 15,5 milhões, sempre realizadas por um dos dois. Para os investigadores, o padrão das operações — valores altos, proximidade das datas e mesmos sacadores — reforça as suspeitas sobre a dinâmica financeira.

A PF pediu novas diligências para esclarecer a finalidade do grupo e verificar se parte dos recursos apreendidos com Sóstenes veio dos saques efetuados por essa rede. A ação desta quarta mira advogados e outros envolvidos na teia empresarial, com o objetivo de aprofundar as investigações sobre possível esquema de desvio de recursos públicos.

O caso segue em andamento e pode trazer novas revelações sobre o uso de dinheiro em espécie por parlamentares e suas conexões com estruturas empresariais complexas. A defesa de Sóstenes Cavalcante ainda não se manifestou sobre as novas etapas da operação.



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