Casas Bahia fecha 298 lojas e demite cerca de 1,9 mil funcionários em reestruturação

Grupo encerra quase 30% da rede física entre 13 e 14 de agosto de 2026, após sequência de prejuízos bilionários, e adia divulgação de resultados do segundo trimestre
Por: Carol Barbalho 15.ago.2026 às 10h59
Casas Bahia fecha 298 lojas e demite cerca de 1,9 mil funcionários em reestruturação
Reprodução / Instagram @batistabrunoo

O Grupo Casas Bahia encerrou as operações de 298 lojas entre os dias 13 e 14 de agosto de 2026. O número corresponde a 28,7% das pouco mais de mil unidades que a rede mantinha em funcionamento no país, com base nos dados de março de 2026, quando o grupo registrava 1.039 lojas (921 da bandeira Casas Bahia e 118 da Ponto Frio). Ao final de 2025, o total era de 1.042 unidades.

No mesmo período, aproximadamente 1,9 mil funcionários foram desligados: cerca de 600 na quinta-feira (13) e entre 1,3 mil e 1,4 mil na sexta-feira (14). Estimativas apontam que o total de demissões pode chegar a 3 mil. Os cortes equivalem a cerca de 6,7% do quadro de pessoal da companhia. Funcionários em diferentes regiões do país relataram encontrar as portas das unidades fechadas ao chegarem para trabalhar.

A medida integra um plano de redução de despesas da varejista, que opera as marcas Casas Bahia e Ponto Frio. Nos 12 meses encerrados em março de 2026, o grupo já havia registrado o fechamento líquido de 26 lojas (12 da Casas Bahia e 14 da Ponto Frio). O enxugamento da rede física ocorria de forma gradual nos anos anteriores: o total passou de 1.078 unidades no fim de 2023 para 1.064 no fim de 2024 e 1.042 no fim de 2025.

O fechamento ocorre após a companhia registrar prejuízo líquido de R$ 1,064 bilhão no primeiro trimestre de 2026, valor superior ao dobro da perda de R$ 408 milhões registrada no mesmo período de 2025. Em 2025, o prejuízo consolidado alcançou aproximadamente R$ 3 bilhões. No primeiro trimestre de 2026, o resultado financeiro líquido foi negativo em R$ 1,171 bilhão. As vendas online de produtos próprios cresceram 26% no período, enquanto as lojas físicas apresentaram retração de 1,8%.

A divulgação dos resultados do segundo trimestre de 2026, inicialmente prevista para 12 de agosto, foi adiada para 14 de agosto. A teleconferência com analistas ficou marcada para 17 de agosto.

A reestruturação da companhia tem origem em processos iniciados em 2023. Em 2024, o grupo realizou recuperação extrajudicial envolvendo cerca de R$ 4 bilhões em dívidas, com alongamento de prazos e redução de custos financeiros. Em 2025, houve conversão de debêntures em ações, o que alterou a estrutura acionária e reduziu o endividamento. A gestora Mapa Capital passou a deter a maioria do capital.

Em Santa Catarina, de 23 lojas do grupo existentes antes do corte, 18 foram fechadas, restando unidades em Balneário Camboriú, Itajaí, Navegantes, Brusque e uma em Joinville. No Rio de Janeiro, relatos indicam que o número de fechamentos pode chegar a 80 unidades. Em Blumenau (SC), as duas lojas da rede encerraram as atividades.

Com os 298 fechamentos, a rede física do grupo fica próxima de 740 lojas.



📲 Baixe agora o aplicativo oficial da BRADO
e receba os principais destaques do dia em primeira mão
O que estão dizendo

Deixe sua opinião!

Assine agora e comente nesta matéria com benefícos exclusivos.

Sem comentários

Seja o primeiro a comentar nesta matéria!

Carregar mais
Carregando...

Carregando...

Carregando..