Nesta sexta-feira (09), durante a tradicional audiência de início de ano com o corpo diplomático acreditado junto da Santa Sé, o Papa Leão XIV expressou profunda preocupação com a contínua perseguição religiosa que atinge milhões de pessoas, com destaque para os cristãos.
O pontífice revelou que mais de 380 milhões de fiéis cristãos enfrentam atualmente níveis elevados ou extremos de discriminação, violência e opressão por causa da sua fé, representando uma das maiores crises de direitos humanos no mundo atual.
Leão XIV mencionou situações concretas de violência, como os ataques jihadistas em Cabo Delgado (Moçambique), os conflitos com motivação religiosa no Bangladesh, na região do Sahel e na Nigéria, além do atentado terrorista de junho de 2025 na Paróquia de Santo Elias, em Damasco.
O Papa alertou ainda para uma discriminação mais subtil que afeta os cristãos em países onde são maioria, incluindo na Europa e nas américas. nesses contextos, por motivos políticos ou ideológicos, os crentes enfrentam dificuldades para proclamar os ensinamentos evangélicos, sobretudo quando defendem a dignidade da vida desde a concepção, a proteção dos mais vulneráveis, dos refugiados, dos migrantes ou o valor da família.No discurso, o pontífice criticou especialmente as tendências observadas no ocidente, onde considera que a liberdade de expressão e a objeção de consciência estão cada vez mais ameaçadas.
Ele denunciou o surgimento de uma “nova linguagem” que, sob o pretexto de maior inclusão, acaba por excluir e marginalizar quem não adere a certas ideologias dominantes.
“Estamos perante uma deriva orwelliana: o significado das palavras torna-se fluido, os conceitos ficam ambíguos e a linguagem deixa de servir para o encontro humano, transformando-se numa ferramenta para enganar, atacar ou silenciar os que pensam diferente”, afirmou.Leão XIV defendeu a objeção de consciência como um gesto de coerência e fidelidade interior, e não como ato de rebeldia. lamentou que mesmo estados democráticos, que se dizem defensores dos direitos humanos, estejam a questionar cada vez mais este direito fundamental.
Para enquadrar a relação entre igreja e poder político, o papa recorreu à obra "A Cidade de Deus", de Santo Agostinho, esclarecendo que a igreja não apresenta um programa político próprio, mas convida os cristãos a viverem na sociedade civil aplicando os princípios da ética cristã ao bem comum.Atualmente, a Santa Sé mantém relações diplomáticas plenas com mais de 180 países, incluindo Portugal, além da União Europeia e da Ordem Soberana e Militar de Malta.
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