Gustavo Petro afirma que Colômbia rejeita envolvimento em ação militar contra Venezuela

Líder colombiano aponta Trump como culpado pela instabilidade regional e critica pressões para cooperação armada
Por: Brado Jornal 21.out.2025 às 09h56
Gustavo Petro afirma que Colômbia rejeita envolvimento em ação militar contra Venezuela
25/06/2025REUTERS/Luisa Gonzalez
Em declaração feita nesta segunda-feira (20), o presidente colombiano Gustavo Petro destacou que Donald Trump, atual mandatário dos Estados Unidos, é o "principal responsável" pela crise que afeta a Venezuela. Ele reforçou que as Forças Armadas de seu país não se envolverão em qualquer operação de "invasão da Venezuela", uma posição que, segundo Petro, provoca desconforto em Washington.

A tensão entre os dois líderes ganhou força nos últimos meses, com medidas como a revogação da certificação colombiana no combate ao narcotráfico, o fim de repasses financeiros americanos e a aplicação de tarifas adicionais sobre exportações colombianas. Ao justificar o corte de recursos, Trump argumentou que Petro “não faz nada para impedir” o cultivo de substâncias ilícitas na Colômbia, mesmo com “pagamentos e subsídios em grande escala por parte dos Estados Unidos”. Para o americano, essa situação configura uma “fraude de longo prazo contra os Estados Unidos”.

Essa disputa ocorre em meio a um reforço militar dos EUA no Caribe, descrito pela Casa Branca como iniciativa contra o tráfico de entorpecentes. No entanto, o governo de Nicolás Maduro interpreta as manobras como preparação para uma alteração de regime em Caracas. Autoridades colombianas, como o ministro do Interior Armando Benedetti, veem nas falas recentes de Trump uma "ameaça de invasão ou de ação terrestre ou militar contra a Colômbia", levando Bogotá a convocar seu embaixador em Washington, Daniel García Peña, para consultas urgentes.

Petro, em sua fala, foi enfático ao rejeitar qualquer alinhamento. “O principal responsável é o senhor Trump”, declarou, recordando que durante o primeiro mandato do republicano “houve guerra entre Colômbia e Venezuela”. Ele prosseguiu: “Ele fica irritado porque eu não apoio os americanos com o exército colombiano para invadir a Venezuela. Não, senhor, que colombiano estúpido poderia pensar em ajudar a invadir onde estão seus primos e sobrinhos, para que os matem como em Gaza”.

Além disso, o presidente colombiano ampliou sua crítica, afirmando que as alegações de narcotráfico servem como pretexto para interesses econômicos. Em postagem recente nas redes sociais, ele questionou: “A invasão da Venezuela pelos EUA não tem a ver com tráfico de drogas, MENTIRA! É uma desculpa para se apropriar do petróleo da Venezuela”. Petro ainda alertou que, em duas décadas, “esse petróleo daqui a 20 anos não valerá nada. A humanidade vai parar de exigir petróleo. Trump está errado por não ler ciência”.

A escalada verbal ganhou contornos mais duros no fim de semana, quando Trump qualificou Petro de "traficante de drogas ilegal" que estimula a "produção massiva" de narcóticos, expandindo o foco de suas ações na região além da Venezuela. Analistas regionais observam que essa dinâmica lembra a Doutrina Monroe, com Washington buscando maior influência na América Latina por meio de pressão econômica e demonstrações de força – a maior concentração naval no Caribe desde a invasão do Panamá em 1989.

A CNN solicitou posicionamento ao Departamento de Estado americano sobre as palavras de Petro, mas não obteve resposta imediata. Especialistas em relações internacionais, como a professora colombiana María Fernanda Zuluaga, da Universidade de Salamanca, descrevem a abordagem de Trump como um "cerco multidimensional", combinando sanções, isolamento diplomático e exibições militares para forçar uma "implosão induzida" do regime em Caracas, sem recorrer necessariamente a uma ofensiva terrestre direta. Petro, por sua vez, já havia defendido o fim do bloqueio econômico contra a Venezuela em postagem de 15 de outubro, chamando as sanções de "covardia" que impulsiona migrações em massa para a Colômbia e agrava instabilidades na América do Sul.


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