China avança em rivalidade marítima com eua ao ativar porta-aviões Fujian

Avanço tecnológico e desafios operacionais em meio à expansão da frota naval
Por: Brado Jornal 07.nov.2025 às 09h19
China avança em rivalidade marítima com eua ao ativar porta-aviões Fujian
X / @ChinaMilBugle
A Marinha do Exército de Libertação Popular da China deu um passo decisivo para ampliar sua influência no oceano Pacífico ao incorporar oficialmente o Fujian, seu mais recente e sofisticado porta-aviões, à frota ativa. Com capacidade para deslocar 80 mil toneladas e equipado com catapulta eletromagnética, o navio representa um marco na modernização militar de Pequim, projetado para transportar aeronaves mais pesadas e de maior alcance, superando as limitações dos modelos anteriores. Especialistas destacam que essa adição reforça a posição da China como detentora da maior marinha em número de embarcações, embora os Estados Unidos mantenham superioridade em tecnologia e experiência operacional.

A cerimônia de ativação ocorreu em 5 de novembro de 2025, em uma base naval no porto de Sanya, na ilha de Hainan, no sul do país. O presidente Xi Jinping, também secretário-geral do Comitê Central do Partido Comunista da China e presidente da Comissão Militar Central, presidiu o evento, subiu a bordo para inspecionar o navio e hasteou a bandeira, conforme relatado pela agência estatal Xinhua e pela emissora CCTV. Essa presença de alto nível sublinha a prioridade estratégica dada à expansão naval sob a liderança de Xi, parte de um plano mais amplo para modernizar as forças armadas até 2035 e alcançar uma capacidade "de classe mundial" até meados do século. O Fujian, lançado em junho de 2022 nos estaleiros Jiangnan, perto de Xangai, passou por testes marítimos iniciais em maio de 2024 e completou uma série de avaliações, incluindo calibrações de sistemas e navegações no Estreito de Taiwan e no Mar do Sul da China, confirmando sua estabilidade operacional.

Diferentemente dos dois porta-aviões anteriores da China o Liaoning, de origem soviética, e o Shandong, baseado em design russo —, ambos dependentes de rampas de lançamento tipo "ski jump" que restringem o peso e o combustível das aeronaves, o Fujian adota o sistema EMALS (Electromagnetic Aircraft Launch System). Essa tecnologia, compartilhada apenas com o USS Gerald R. Ford da Marinha americana (certificado para operações em 2022), permite decolagens de caças mais carregados, como o J-15T, o stealth J-35 e o avião de alerta antecipado KJ-600, além de helicópteros Z-20 e drones. Durante os testes, a Marinha chinesa demonstrou lançamentos bem-sucedidos desses modelos, alcançando "capacidade de operação de convés completo", segundo a mídia estatal. O convés plano, sem rampa, otimiza o espaço para até 50 aeronaves, expandindo o alcance de projeção de poder para além da Primeira Cadeia de Ilhas, incluindo áreas como Guam e o Mar das Filipinas.

Apesar dos elogios da mídia chinesa e do especialista militar Zhang Junshe, que o descreveu como evidência da ascensão de Pequim como potência em porta-aviões, analistas estrangeiros apontam limitações iniciais. Dois ex-oficiais americanos de porta-aviões, consultados pela CNN em outubro de 2025, estimam que as operações aéreas do Fujian operem a cerca de 60% da eficiência de um navio da classe Nimitz com 50 anos de uso. O layout do convés, com uma área de pouso angulada em apenas 6 graus (contra 9 graus nos Nimitz), e catapultas posicionadas próximas à seção frontal central, pode causar interferências: aeronaves aterrissando, como o J-15 ou J-35, sobrevoariam as catapultas, pausando lançamentos e reduzindo a taxa de decolagens.

Carl Schuster, ex-capitão da Marinha dos EUA que serviu em dois porta-aviões, observou que a pista de pouso se estende perto da proa, limitando o movimento de aviões entre elevadores e hangar, enquanto o tenente-comandante aposentado Keith Stewart notou que as catapultas mais longas aumentam riscos de colisão, exigindo ritmos mais lentos para mitigar perigos.

O Fujian, de propulsão convencional a combustível, contrasta com os 11 porta-aviões nucleares dos EUA, que oferecem autonomia ilimitada no mar, dependendo apenas de suprimentos para a tripulação de cerca de 2.500 pessoas. Navios chineses como o Fujian requerem reabastecimento em portos ou por navios-tanque, limitando missões prolongadas. Ainda assim, o comissionamento eleva a China ao segundo lugar global em número de porta-aviões, atrás apenas dos EUA, e sinaliza ambições maiores: testes recentes incluíram operações duplas com o Shandong, preparando formações complexas para presença sustentada no Pacífico ocidental. Analistas como David Hart, do Center for Strategic and International Studies, descrevem o Fujian como um "salto significativo" em capacidades, permitindo reconhecimento independente e suporte aéreo em regiões distantes, como a Segunda Cadeia de Ilhas, potencialmente facilitando cenários como um bloqueio a Taiwan, que Pequim reivindica como território próprio.

Sob Xi Jinping, a China acelera a construção naval, lançando navios de alta tecnologia a uma velocidade que desafia Washington e aliados como Japão, Austrália e Filipinas. Estaleiros chineses produzem embarcações em ritmo superior, com a frota total superando a americana em quantidade, embora os EUA liderem em qualidade, com 10 Nimitz (97 mil toneladas, catapulta a vapor) e o Ford. O Fujian, o maior já operado pela China, aproxima-se do tamanho dos Nimitz, mas Pequim já avança no Type 004, um futuro porta-aviões nuclear com EMALS, previsto para a próxima década. Desdobramentos iniciais do Fujian devem ser cautelosos, servindo como plataforma de testes, com missões progressivas para leste do Japão e Guam, conforme observado por analistas de segurança regional. O Southern Theater Command, responsável pelo Mar do Sul da China, assumirá o controle, com o Shandong e um possível Type 075 (porta-helicópteros anfíbio) presentes na cerimônia.

O evento gerou reações em redes sociais, com postagens destacando o "início da era de três porta-aviões" para a Marinha chinesa, compartilhando imagens de Xi ao lado de pilotos e tripulantes. Mídia estatal enfatizou o orgulho nacional na modernização, enquanto observadores internacionais veem o Fujian como o adversário naval mais formidável dos EUA no Pacífico, estreitando lacunas em aviação marítima e sinalizando uma nova fase na competição sino-americana.


📲 Baixe agora o aplicativo oficial da BRADO
e receba os principais destaques do dia em primeira mão
O que estão dizendo

Deixe sua opinião!

Assine agora e comente nesta matéria com benefícos exclusivos.

Sem comentários

Seja o primeiro a comentar nesta matéria!

Carregar mais
Carregando...

Carregando...

Veja Também
Marcha do MST avança pela BR-324 rumo a Salvador
Mais de 2 mil sem-terra participam da caminhada estadual pela reforma agrária, iniciada em Feira de Santana.
O Bitcoin sobe ao maior nível em um mês com perspectiva de acordo entre EUA e Irã.
A criptomoeda encostou nos US$ 75 mil e já ameaça US$ 200 milhões em posições vendidas que podem ser liquidadas se a barreira for rompida.
Ramagem é detido nos EUA por irregularidade migratória
Ex-deputado federal cassado foi preso em Orlando e está sujeito a deportação, segundo o Departamento de Segurança Interna americano. A prisão ocorreu em meio à cooperação entre Brasil e Estados Unidos.
Dólar cai abaixo de R$ 5 pela primeira vez em mais de dois anos com expectativas de acordo entre EUA e Irã.
Moeda americana renovou mínimas e operou em torno de R$ 4,98; analistas projetam consolidação na casa de R$ 4,97 caso cenário externo permaneça favorável.
Administração Trump concorda em restaurar bandeira LGBT no Monumento Nacional de Stonewall
Acordo judicial apresentado em 13 de abril de 2026 determina recolocação permanente da bandeira Pride no mastro oficial do monumento em Nova York, revertendo remoção feita em fevereiro
Carregando..