Venezuela planeja defesa com táticas de guerrilha e caos urbano contra possível invasão dos EUA

Forças armadas do país se preparam para resistência assimétrica em cenário de ataque americano
Por: Brado Jornal 11.nov.2025 às 10h54
Venezuela planeja defesa com táticas de guerrilha e caos urbano contra possível invasão dos EUA
REUTERS/Leonardo Fernandez Viloria • Leonardo Fernandez Viloria/Reuters
A Venezuela ativa armamentos antigos, em grande parte de origem russa, e organiza uma defesa baseada em guerrilha ou na geração de desordem generalizada para enfrentar uma eventual ofensiva aérea ou terrestre dos Estados Unidos, conforme relatos de pessoas informadas sobre os planos e documentos estratégicos analisados pela Reuters.

Essa escolha reflete implicitamente a limitação de efetivos e material bélico da nação sul-americana.

Donald Trump, presidente dos Estados Unidos, mencionou a hipótese de ações terrestres na Venezuela ao afirmar que “a terra será a próxima”, depois de operações contra barcos suspeitos de tráfico no Caribe e do aumento da presença militar americana na área.

Posteriormente, ele descartou planos de ataques dentro do território venezuelano.

Nicolás Maduro, que governa a Venezuela desde 2013, acusa Trump de querer derrubá-lo e garante que a população e as forças armadas rejeitarão qualquer intervenção.

As capacidades das Forças Armadas venezuelanas são amplamente inferiores às dos EUA, afetadas por treinamento insuficiente, remunerações baixas e equipamentos desgastados, de acordo com seis fontes conhecedoras do aparato militar do país.

Dois informantes ligados à segurança estatal revelaram à Reuters que certos comandantes precisaram barganhar com agricultores locais para obter alimentos para seus soldados, devido à escassez de provisões oficiais.

Diante desse quadro, o regime de Maduro adota duas linhas de ação principais: uma defesa guerrilheira, já citada publicamente por líderes sem entrar em pormenores, e outra não admitida oficialmente.

A tática de guerrilha, batizada pelo governo de “resistência prolongada” e divulgada em programas da TV estatal, prevê o uso de pequenos grupos armados em mais de 280 pontos do território para executar sabotagens e ações de insurgência, conforme as fontes e papéis de planejamento de anos anteriores consultados pela Reuters.

A alternativa, denominada “anarquização”, envolveria agências de inteligência e militantes armados do partido no poder para provocar tumultos em Caracas e inviabilizar o controle por tropas estrangeiras, segundo uma fonte próxima aos preparativos de defesa e outra ligada à oposição.

Não há definição sobre o momento de aplicação de cada abordagem, que as fontes descrevem como mutuamente reforçadas em caso de agressão americana.As fontes admitem que qualquer plano de oposição tem baixa probabilidade de êxito.

“Não duraríamos nem duas horas em uma guerra convencional”, afirmou uma fonte próxima ao governo.

Outra pessoa com acesso a questões de defesa e segurança no país avaliou que a Venezuela não está “preparada ou profissionalizada para um conflito”, contrariando declarações oficiais. “Não estamos prontos para enfrentar um dos exércitos mais poderosos e bem treinados do mundo”, disse a fonte.

O Ministério das Comunicações, responsável por responder à imprensa em nome do governo venezuelano, não comentou as questões levantadas.Autoridades do regime negam publicamente risco de ação militar americana.

“Eles acham que com um bombardeio acabarão com tudo. Aqui neste país?”, ironizou o ministro do Interior, Diosdado Cabello, na televisão estatal no começo de novembro, enquanto Maduro exaltava os “soldados da pátria” como continuadores de Simon Bolívar.


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