França mantém veto ao acordo comercial entre UE e Mercosul

Oposição francesa persiste apesar de salvaguardas aprovadas pelo Parlamento Europeu
Por: Brado Jornal 18.dez.2025 às 09h33
França mantém veto ao acordo comercial entre UE e Mercosul
Foto: HENRY NICHOLLS/Pool via REUTERS

Em Bruxelas, nesta quinta-feira (18), o presidente da França, Emmanuel Macron, reafirmou a posição de seu país contra a assinatura do pacto de livre comércio entre a União Europeia (UE) e o Mercosul, argumentando que faltam proteções adequadas para o setor agrícola europeu.

"Quero dizer aos nossos agricultores, que manifestam claramente a posição francesa desde o início: consideramos que as contas não fecham e que este acordo não pode ser assinado", declarou Macron à imprensa antes de uma cúpula de líderes da UE.

Ele também indicou que Paris resistirá a qualquer "tentativa de forçar" a aprovação do tratado com o bloco sul-americano, formado por Argentina, Bolívia, Brasil, Paraguai e Uruguai.

Agricultores franceses enxergam no acordo uma ameaça direta, pois produtores latino-americanos operam com normas ambientais e sanitárias menos estritas, o que poderia gerar concorrência desleal em itens como carne bovina, aves e açúcar.

Embora a Comissão Europeia tenha concedido algumas garantias para setores vulneráveis, os produtores consideram essas medidas insuficientes. Na terça-feira (16), o Parlamento Europeu validou mecanismos de monitoramento e proteção, permitindo a imposição de tarifas caso importações isentas cresçam mais de 5% ou preços de produtos do Mercosul caiam pelo menos 5% em relação aos europeus.

Mesmo com essas cláusulas, a França pede adiamento da assinatura, prevista inicialmente para sábado (20) no Brasil, durante cúpula do Mercosul em Foz do Iguaçu, onde a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, pretendia viajar para formalizar o pacto após mais de duas décadas de negociações.

A posição italiana pode ser decisiva. Na quarta-feira (17), a primeira-ministra Giorgia Meloni declarou em discurso no Parlamento que seria “prematuro” para a UE assinar o acordo agora, exigindo mais reciprocidade para proteger a agricultura. Ela expressou confiança de que as condições adequadas possam ser alcançadas no início do próximo ano.

Caso a Itália se alinhe à França, junto com Polônia e Hungria que também se opõem, formaria uma minoria de bloqueio suficiente para impedir a aprovação por maioria qualificada no Conselho Europeu.

acordo criaria a maior zona de livre comércio do mundo, facilitando exportações europeias de veículos, máquinas e vinhos, enquanto aumentaria o fluxo de produtos agrícolas sul-americanos para a UE. Países como Alemanha e Espanha defendem a conclusão imediata, mas as resistências internas crescem, com protestos de agricultores em vários membros do bloco.




📲 Baixe agora o aplicativo oficial da BRADO
e receba os principais destaques do dia em primeira mão
O que estão dizendo

Deixe sua opinião!

Assine agora e comente nesta matéria com benefícos exclusivos.

Sem comentários

Seja o primeiro a comentar nesta matéria!

Carregar mais
Carregando...

Carregando...

Veja Também
China pede ao Irã que aproveite janelas de paz
Chanceler Wang Yi defende diálogo imediato e cessar-fogo duradouro em conversa com homólogo iraniano; estreito de Ormuz segue como ponto crítico para economia global.
Padre Paulo Avelino recebe visita de Jerônimo Rodrigues e fecha comentários no Instagram
Comunidade Católica Cidade Santa registra encontro surpresa do governador da Bahia durante inauguração de estrada
Senado aprova por unanimidade projeto que equipara misoginia ao racismo
Texto de Ana Paula Lobato é aprovado por 67 votos a favor e nenhum contra; Flávio Bolsonaro e Damares Alves votam a favor; proposta volta à Câmara dos Deputados
Lula sanciona lei antifacção com apenas dois vetos
Presidente mantém proibição de voto para presos provisórios ligados a facções e corte no auxílio-reclusão para familiares
Carregando..