Nesta sexta-feira (9), as forças russas executaram um amplo bombardeio contra alvos na Ucrânia, empregando pela segunda vez o míssil balístico de alcance intermediário Oreshnik, capaz de atingir velocidades hipersônicas e transportar ogivas nucleares embora não haja evidências de uso de armamento nuclear no incidente.
O Ministério da Defesa da Rússia informou que o ataque, realizado durante a madrugada, envolveu dezenas de mísseis e centenas de drones, atingindo instalações de infraestrutura energética e fábricas de drones ucranianas, consideradas essenciais para o complexo militar-industrial do país. A Força Aérea ucraniana registrou o lançamento de 36 mísseis (incluindo o Oreshnik) e 242 drones em todo o território.
Autoridades de Kiev relataram que o míssil Oreshnik impactou a região oeste, na área de Lviv, próxima à fronteira com a Polônia (membro da OTAN e da União Europeia). O sistema foi usado anteriormente em novembro de 2024, em um disparo experimental contra uma fábrica em Dnipro.
De acordo com o lado russo, a operação foi uma resposta direta à alegada tentativa de ataque ucraniano contra uma residência oficial do presidente Vladimir Putin, ocorrida entre 28 e 29 de dezembro de 2025, na região de Novgorod, a cerca de 500 km ao norte de Moscou.
O ministro das Relações Exteriores russo, Sergei Lavrov, havia declarado anteriormente que a Ucrânia empregou 91 drones de longo alcance contra o local, classificando a ação como "terrorista". O Kremlin argumentou que tais atos não ficariam sem resposta e que o incidente influenciaria sua postura nas negociações de paz.
O presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, rejeitou categoricamente a acusação, chamando-a de "mentiras" e sugerindo que Moscou usava a narrativa para dificultar avanços diplomáticos, especialmente após conversas recentes entre Zelensky e o presidente americano Donald Trump na Flórida, onde se discutiu um possível plano de paz embora pontos territoriais permaneçam como entraves.
A Ucrânia classificou a justificativa russa como "absurda" e enfatizou que o uso do Oreshnik representa uma escalada grave.
O ministro das Relações Exteriores da Ucrânia, Andrii Sybiha, declarou que o ataque "próximo à fronteira da União Europeia e da OTAN é uma grave ameaça à segurança europeia" e um "teste para a comunidade transatlântica". Ele informou que Kiev está comunicando detalhes aos Estados Unidos e aos parceiros europeus, solicitando maior pressão sobre a Rússia e ações urgentes em fóruns internacionais, como o Conselho de Segurança da ONU e o Conselho Ucrânia-OTAN.
O Oreshnik, que atinge velocidades superiores a cinco vezes a do som (chegando a Mach 10, segundo Moscou), é considerado difícil de detectar e interceptar, o que eleva preocupações sobre a defesa aérea ucraniana e a estabilidade regional. Autoridades ucranianas reportaram ao menos quatro mortes e mais de 20 feridos em decorrência dos bombardeios, com danos significativos a edifícios residenciais e à rede elétrica em áreas como Kiev.
A ofensiva ocorre em meio a temperaturas baixas, agravando o impacto sobre a população civil, e reforça tensões em um momento de negociações delicadas para o fim do conflito.
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