Liberações parciais de presos políticos na Venezuela geram frustração em famílias e organizações de direitos humanos

Apenas 18 detidos foram soltos até agora, apesar do anúncio de um "número significativo" de libertações, deixando centenas ainda atrás das grades e aumentando a angústia de parentes que aguardam em vigília
Por: Brado Jornal 11.jan.2026 às 07h49
Liberações parciais de presos políticos na Venezuela geram frustração em famílias e organizações de direitos humanos
Ronald Peña R./EFE
O governo venezuelano iniciou um processo de soltura de presos considerados políticos, mas o ritmo lento e a falta de transparência têm deixado famílias e entidades de defesa dos direitos humanos profundamente decepcionadas. Até o momento, apenas 18 pessoas foram confirmadas como libertadas, nove na quinta-feira (8 de janeiro) e mais nove na sexta-feira (9), conforme dados de organizações como o Foro Penal e o Comitê pela Liberdade dos Presos Políticos da Venezuela (CLIPPVE).

O anúncio inicial partiu do presidente da Assembleia Nacional, Jorge Rodríguez, que na quinta-feira declarou a liberação de um "número importante" de venezuelanos e estrangeiros como um "gesto de paz" e de busca pela reconciliação. No entanto, o número real ficou bem abaixo das expectativas, já que estimativas independentes apontam para mais de 800, e em alguns casos até cerca de 1.000, presos políticos ainda detidos no país, muitos em condições precárias na prisão de El Helicoide e em outras unidades.

Famílias de detidos permanecem em vigília constante em frente aos presídios, enfrentando incerteza, falta de informações oficiais e demora nas liberações. Muitos parentes expressam angústia e frustração, descrevendo a situação como um "escárnio" ou novo tipo de sofrimento, pois esperavam um processo mais amplo e rápido após o anúncio. Organizações de direitos humanos criticam a opacidade do procedimento, a ausência de uma lista oficial e o fato de que as solturas parecem seletivas, sem abranger a maioria dos casos.

O cientista político Carlos Gustavo Poggio analisou que disputas internas entre facções do chavismo complicam o cenário, com diferentes grupos controlando seus próprios presos. Segundo ele, regimes autoritários frequentemente liberam um número limitado de detidos para melhorar a imagem externa, sem que isso represente uma verdadeira abertura democrática.

O contexto inclui pressões internacionais, como elogios iniciais do presidente americano Donald Trump à medida, além de demandas da oposição, liderada por figuras como María Corina Machado, e monitoramento de entidades globais. Apesar das poucas liberações confirmadas, incluindo nomes como o ex-candidato presidencial Enrique Márquez e o ex-parlamentar Biagio Pilieri, a grande maioria dos presos políticos continua sem perspectiva imediata de liberdade, mantendo famílias e ativistas em alerta.


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