A China intensifica censura contra conteúdos que criticam o casamento e a maternidade.

A Administração do Ciberespaço da China determinou a remoção de postagens nas redes sociais que se opõem à formação de família, como parte de uma campanha para promover o casamento e a natalidade.
Por: Brado Jornal 16.abr.2026 às 10h16
A China intensifica censura contra conteúdos que criticam o casamento e a maternidade.
Foto: Noel Celis / AFP
A medida integra a campanha “Claro e Limpo” (Qinglang), que exige que as plataformas digitais realizem varreduras para retirar conteúdos considerados “valores prejudiciais”. Entre os alvos estão publicações que exaltam a oposição ao casamento, à maternidade e à paternidade, além daquelas que incitam antagonismo de gênero ou amplificam o que as autoridades chamam de “medo do casamento” e “ansiedade em relação ao parto”.

Um exemplo recente envolveu a comediante uigur Xiao Pa (nome real Paziliyaer Paerhati). Ela publicou uma mensagem relatando estar com febre e comentando que, se tivesse marido e filhos, provavelmente precisaria se levantar para cozinhar mesmo doente. Pouco depois, sua conta no Weibo foi suspensa. A plataforma justificou a ação afirmando que o conteúdo estimulava conflitos de gênero e gerava ansiedade sobre casamento e maternidade.

A iniciativa da Administração do Ciberespaço da China (CAC) começou a ganhar força durante o período do Ano-Novo Lunar Chinês, em fevereiro de 2026, e continua em curso. As orientações incluem também a remoção de materiais gerados por inteligência artificial que exagerem conflitos familiares, como disputas entre sogras e noras ou rivalidades entre irmãos, sob o argumento de que incitam emoções negativas.

Essas ações ocorrem em um contexto de queda acentuada na natalidade chinesa. O país registra uma das taxas de fertilidade mais baixas do mundo, com número recorde de nascimentos em baixa nos últimos anos, apesar de políticas anteriores que relaxaram o limite de filhos por família e de incentivos como licenças-maternidade ampliadas e benefícios financeiros.

A campanha determina que as plataformas de redes sociais atuem ativamente para eliminar conteúdos que promovam narrativas anti-casamento ou anti-natalidade, com o objetivo de fomentar um ambiente online mais alinhado à formação de famílias. Casos semelhantes de remoção de posts e suspensão de contas têm sido relatados em plataformas como Weibo e WeChat.

As medidas fazem parte de um esforço mais amplo do governo chinês para reverter tendências demográficas que ameaçam o envelhecimento acelerado da população e impactos no futuro econômico e previdenciário do país.


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