O vírus Nipah, patógeno zoonótico emergente originário de morcegos frugívoros, tem despertado atenção global devido ao seu potencial pandêmico e à ausência de tratamentos ou vacinas aprovadas. Especialistas alertam que, embora o risco de introdução no Brasil seja baixo no momento, o país apresenta condições favoráveis para transmissão caso o vírus chegue ao território.
Transmitido principalmente por contato direto com secreções de morcegos infectados, consumo de frutas contaminadas por saliva ou urina desses animais, ou por contato próximo com pessoas doentes, o Nipah causa febre, dor de cabeça intensa, vômitos, confusão mental e, em casos graves, encefalite e coma. A taxa de letalidade varia de 40% a 75%, dependendo do surto e da cepa.
Os principais focos históricos ocorreram no Sudeste Asiático (Malásia, Bangladesh, Índia), com transmissão documentada entre humanos em ambientes hospitalares e familiares, além de surtos ligados ao consumo de seiva de palmeira contaminada. O vírus pertence à família Paramyxoviridae, gênero Henipavirus, e é classificado como agente de risco biológico 4 pela OMS, com potencial para disseminação aérea limitada, mas eficiente por vias respiratórias em contatos próximos.
No Brasil, o risco de importação existe por meio de viagens internacionais de pessoas infectadas (período de incubação de 4 a 14 dias, podendo chegar a 45 dias) ou importação ilegal de animais silvestres. O país abriga mais de 170 espécies de morcegos frugívoros, incluindo algumas do gênero Pteropus (reservatório natural do vírus na Ásia), o que poderia permitir estabelecimento de ciclos zoonóticos caso haja introdução.
Especialistas destacam que áreas urbanas densas e regiões rurais com proximidade entre humanos, suínos e morcegos, semelhantes ao cenário da Malásia em 1998-1999, onde houve transmissão suíno-humana, aumentam a vulnerabilidade. A falta de vigilância específica para Nipah no Brasil e a ausência de protocolos padronizados para manejo de casos suspeitos são pontos de preocupação.
Apesar disso, autoridades de saúde consideram o risco atual baixo, uma vez que não há circulação conhecida do vírus nas Américas e os surtos recentes na Ásia foram contidos. Medidas preventivas incluem reforço da vigilância em aeroportos, monitoramento de casos febris graves de origem desconhecida e capacitação de equipes de saúde para identificar sinais neurológicos característicos.
A OMS mantém o Nipah na lista de patógenos prioritários para pesquisa e desenvolvimento de contramedidas, com esforços globais concentrados em vacinas candidatas em fase pré-clínica e ensaios clínicos iniciais. No Brasil, o Ministério da Saúde acompanha o cenário internacional e reforça a importância da notificação imediata de casos suspeitos de encefalite viral de etiologia desconhecida.
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