A raposa-voadora, também chamada de zorra-voadora ou zorra-frugívora (Pteropus spp.), é um dos maiores morcegos do mundo, com envergadura que pode superar 1,5 metro e peso entre 600 g e 1,1 kg.
Nativa de regiões tropicais e subtropicais da Ásia, Oceania e ilhas do Pacífico, a espécie se alimenta principalmente de frutos, néctar e pólen, desempenhando papel importante na polinização e na dispersão de sementes em florestas.
Recentemente, a raposa-voadora voltou a chamar atenção por ser um dos principais reservatórios naturais do vírus Nipah, um paramixovírus zoonótico de alta letalidade. O patógeno causa encefalite grave em humanos, com taxa de mortalidade que varia de 40% a 75% nos surtos documentados.
Transmissão ocorre por contato direto com secreções ou excreções de morcegos infectados, consumo de frutas contaminadas por saliva ou urina desses animais, ou por via intermediária (principalmente suínos).
Os principais surtos ocorreram na Malásia (1998-1999), Bangladesh (desde 2001, com casos anuais) e Índia (diversos episódios desde 2001). Em 2023 e 2024, Kerala registrou novos casos fatais. O vírus não tem tratamento específico nem vacina aprovada para uso humano em larga escala, embora existam candidatas em fase avançada de testes.
No Brasil, onde não há registro de circulação do vírus Nipah, o risco de introdução é considerado baixo por especialistas em saúde pública e virologia. Fatores que reduzem a probabilidade incluem:
Ausência de rotas migratórias conhecidas da raposa-voadora para a América do Sul;
Distância geográfica significativa das áreas endêmicas;
Ausência de hospedeiros intermediários suscetíveis (como porcos) em contato frequente com morcegos frugívoros asiáticos;
Vigilância ativa em morcegos brasileiros pelo Ministério da Saúde e pela rede de diagnóstico de zoonoses.
Apesar disso, autoridades mantêm monitoramento contínuo de morcegos hematófagos e frugívoros no país, especialmente após a pandemia de covid-19, que aumentou a atenção global para vírus emergentes de origem animal. O vírus Nipah integra a lista de patógenos prioritários da Organização Mundial da Saúde (OMS) devido ao potencial pandêmico, alta letalidade e ausência de contramedidas amplamente disponíveis.
Pesquisadores reforçam que o risco real ao Brasil viria de importação intencional ou acidental de animais infectados, ou de viajantes expostos em áreas endêmicas que retornassem durante o período de incubação. Por ora, não há evidência de circulação do vírus em território nacional nem de casos humanos ou animais relacionados ao Nipah.
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