Estudo italiano sugere associação entre vacinação contra covid-19 e maior risco de hospitalização por câncer de mama

Análise preliminar com quase 300 mil pessoas aponta aumento de 54% em casos de mama entre vacinados
Por: Brado Jornal 01.fev.2026 às 12h55
Estudo italiano sugere associação entre vacinação contra covid-19 e maior risco de hospitalização por câncer de mama
Reprodução
Pesquisadores da Universidade de Bolonha publicaram no EXCLI Journal um estudo de coorte retrospectivo que acompanhou 296.015 residentes da província de Pescara (Itália), com 11 anos ou mais, entre junho de 2021 e dezembro de 2023. Utilizando registros oficiais do Sistema Nacional de Saúde, compararam taxas de primeiras hospitalizações por câncer entre indivíduos que receberam pelo menos uma dose de vacina contra covid-19 e os não vacinados, excluindo quem já tinha diagnóstico oncológico prévio.

Os principais achados indicaram que os vacinados apresentaram hazard ratio (HR) de 1,23 (IC 95% 1,11–1,37) para hospitalização por qualquer câncer após uma ou mais doses. Para câncer de mama especificamente, o risco foi 54% maior após uma ou mais doses (HR 1,54; IC 95% 1,10–2,16) e 36% maior após três ou mais doses (HR 1,36; IC 95% 1,08–1,72). Outros tipos com aumento estatisticamente significativo incluíram bexiga (62% após uma dose) e cólon-reto (35% após uma dose).

A associação foi mais pronunciada entre pessoas sem infecção prévia por SARS-CoV-2. Quando o intervalo mínimo entre vacinação e internação foi ampliado para 12 meses, o risco geral diminuiu ou se inverteu em alguns cenários. Por outro lado, os vacinados apresentaram mortalidade por todas as causas 42% menor após uma dose e 35% menor após três ou mais doses, benefício que os autores atribuem, em grande parte, ao chamado viés do vacinado saudável (pessoas mais saudáveis tendem a se vacinar mais e têm menor risco basal de morte).

A autora principal, Cecília Acuti Martellucci, e os coautores classificaram os resultados como preliminares e enfatizaram que o estudo não estabelece causalidade. Eles destacaram limitações importantes: possível viés de confusão não medido, falta de ajuste completo para fatores de risco oncológico (como tabagismo, obesidade, histórico familiar), ausência de dados sobre tipo de vacina e impossibilidade de excluir completamente o viés do vacinado saudável.

O artigo está disponível no PubMed Central e foi revisado por pares. Especialistas independentes e autoridades sanitárias (como o Ministério da Saúde brasileiro, a Anvisa, o CDC e o National Cancer Institute dos EUA) reiteram que não existem evidências científicas robustas e consistentes de que as vacinas contra covid-19 causem ou acelerem o desenvolvimento de câncer. 


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