A administração municipal de Brumado, no sudoeste da Bahia, passou a gerir diretamente uma clínica especializada em hemodiálise após constatar graves falhas no funcionamento da unidade. A medida foi adotada no sábado, 11 de abril de 2026, por meio de uma requisição administrativa, instrumento usado pelo poder público em situações de perigo à população.
A unidade, conhecida como Clinefro e anteriormente administrada pela Fundação Gonçalves e Sampaio, apresentava diversas irregularidades identificadas por fiscalizações da Vigilância Sanitária municipal e estadual. Entre os problemas detectados estavam condições sanitárias inadequadas, falta de manutenção em equipamentos, ausência de profissionais qualificados e essenciais, redução indevida do tempo de tratamento dos pacientes e falhas gerais na assistência prestada.
Essas deficiências foram consideradas um risco direto à saúde das pessoas em tratamento para insuficiência renal, o que motivou a interdição temporária da clínica. O secretário municipal de Saúde, Danilo Menezes, explicou que queixas frequentes de pacientes e familiares alertaram as autoridades sobre o serviço precário. Apesar de um prazo concedido para correções, as falhas persistiram, tornando inevitável a intervenção.
“Encontramos fragilidades que comprometiam o bom funcionamento da clínica. Houve tempo para ajustes, mas eles não ocorreram. Não restou alternativa senão a intervenção”, afirmou o secretário em entrevista à TV Sudoeste.
A ação contou com o apoio integrado de diversos órgãos, incluindo a Secretaria Municipal de Saúde de Brumado, a Secretaria de Saúde do Estado da Bahia (Sesab), a Vigilância Sanitária, o Ministério Público do Estado da Bahia (MP-BA), a Polícia Civil e a Polícia Militar. Um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) já havia sido firmado anteriormente com o MP-BA para tentar regularizar a situação.
A prefeitura reforçou que o serviço de hemodiálise não será interrompido. Os pacientes continuarão recebendo o tratamento essencial no mesmo local, agora sob gestão pública e em conformidade com todos os protocolos de segurança e qualidade exigidos. A medida visa garantir a continuidade do atendimento sem prejuízo aos usuários.
A requisição administrativa transfere temporariamente a responsabilidade da clínica para o município, garantindo que o poder público assuma o controle direto até que a situação seja plenamente regularizada.
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