Desenvolvedor cria ferramenta que detecta irregularidades em políticos brasileiros

Sistema conecta bases de dados públicas para identificar padrões de corrupção a partir do CPF de agentes públicos
Por: Carol Barbalho 24.fev.2026 às 09h34 - Atualizado: 24.fev.2026 às 09h36
Desenvolvedor cria ferramenta que detecta irregularidades em políticos brasileiros
Reprodução / X
Um desenvolvedor brasileiro chamado Bruno César desenvolveu uma ferramenta capaz de identificar irregularidades financeiras envolvendo políticos. O sistema utiliza o CPF de agentes públicos para cruzar informações de diversas bases de dados abertas do governo federal, estadual e municipal.

A ferramenta analisa padrões como receptores de emendas parlamentares, licitações, CNPJs de familiares dos agentes e transferências governamentais. Entre os exemplos detectados estão casos de autodirecionamento de emendas para prefeituras onde contratos foram executados por empresas ligadas a familiares de parlamentares, além de funcionários fantasmas.

Bruno César, que se identifica como parte do movimento br/acc, apresentou o projeto na rede social X. Ele construiu o sistema conectando múltiplas bases de dados públicas, incluindo Portal Dados Abertos, Portal da Transparência, Tesouro Transparente, Base dos Dados, CNPJ/QSA Receita, Juntas Comerciais, CVM Aberta, Formulário Referência CVM, Fatos Relevantes CVM, Insider Trading CVM, Fundos Investimento CVM, B3 Negociações, BCB Câmbio/PTAX, BCB Selic/Juros, BCB PIX, BCB Crédito, BCB IFData, BCB Base Monetária, BCB Reservas Internacionais, BCB Capitais Estrangeiros, CEIS (CGU), CNEP (CGU), CEPIM (CGU), CEAF (CGU), ComprasNet/PNCP, SIAFI, SICONFI, SIOP, TSE Candidaturas, TSE Bens, TSE Doações, TSE Resultados, DOU, DOEs Estaduais, Querido Diário, DATASUS SIH, DATASUS SIM, DATASUS CNES, DATASUS SINAN, INSS/DATAPREV, PREVIC, DataJud CNJ, IBGE Censo, IBGE PNAD, IBGE IPCA/INPC, IBGE PIB, IBGE PMC, IBGE PIM-PF, IBGE POF, IBGE Geociências, INEP Censo Escolar, INEP ENEM, FNDE Repasses, RAIS, CAGED, IBAMA Embargos, IBAMA Licenciamento, IBAMA SINAFLOR, INPE DETER, INPE PRODES, INCRA, CPRM, INDE, DENATRAN/RENAVAM, ANAC RAB, ANTT, ANTAQ, DNIT, PRF Acidentes, ANEEL, ANP, ANATEL, ANVISA, ANS, ANCINE, IPEAData, TCU Auditorias e TCEs/TCMs.

Em uma demonstração, o sistema revelou uma exposição total de R$89,2 milhões, com 11 irregularidades identificadas a partir de 16 fontes. Entre os itens críticos destacados estão o autodirecionamento de emendas no valor de R$47 milhões, com 97% de confiança; 34 funcionários fantasmas custando aproximadamente R$2,4 milhões por ano, com 94% de confiança, resultante do cruzamento de dados RAIS com servidores municipais, mostrando 34 pessoas simultaneamente empregadas na ABC Construções e como servidores públicos de Santo André; uma escola fantasma recebendo verba de R$800 mil, com 92% de confiança; e um circuito fechado de doação para o SUS envolvendo R$12 milhões mais R$150 mil, com 91% de confiança. O padrão identificado inclui RAIS Empresa x Folha Municipal, resultando em duplo vínculo, com fontes como RAIS/CAGED, Transparência e Receita Federal.

O desenvolvedor mencionou que o sistema está em fase de ajuste para substituir termos como “corruptos” por “suspeitos” e expressou preocupação com possíveis riscos pessoais. Ele considerou tornar o projeto open source, mas destacou a necessidade de um servidor potente para consultas rápidas devido às muitas relações no grafo. O deputado federal Kim Kataguiri manifestou interesse na ferramenta. 


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