15 de novembro é dia de luto

15 de novembro é dia de luto

“O povo assistiu àquilo bestializado, atônito, surpreso, sem conhecer o que significava.” Assim escreveu o jornalista Aristides Lobo sobre o Golpe da Republica, no Diário Popular de São Paulo, naquele mês de novembro do ano de 1889. O Brasil estava diante do ocaso da sua glória, que nunca mais foi recuperada. Era a queda de um dos 10 maiores impérios da história humana. A nossa maior tragédia.

O Povo Brasileiro amava o seu Império e o seu Imperador. Assim como o Imperador do Brasil amava incondicionalmente o seu povo. E este vínculo de amor mútuo foi repugnado por uma pequena elite republicana que não o suportava. D. Pedro II sempre esteve profundamente conectado com a sua gente e, por isso, nunca desconheceu suas necessidades, seus anseios. Essa era a pedra fundamental para que o Império do Brasil fosse tão virtuoso e opulento. 

Não quero, com todo esse enaltecimento, demonstrar que o nosso período Monárquico foi perfeito. Não existe perfeição neste mundo e todo mundo sabe disso. Mas é inegável que, desde o Golpe Republicano, o “amanhã” sempre foi muito pior do que o “ontem” para nós, brasileiros. Situação muito diferente de quando éramos um dos maiores Impérios que a humanidade já viu.

D. Pedro II era extremamente popular. Andava sozinho, tranquilamente, pelas ruas do Rio de Janeiro e sempre era aclamado por onde passava. Era abolicionista. Aliás, foi o pioneiro na ideia de “reforma agrária” ao planejar o povoamento do interior do Brasil tendo como protagonistas os negros libertos. É muito óbvio que isso desagradava imensamente a elite latifundiária republicana que o derrubou antes de concretizar esse projeto de desenvolvimento da nossa nação.

A relação entre a nossa Família Real e os brasileiros negros era bem estreita e de admiração mútua. Um dos maiores exemplos deste fato foi surgimento praticamente espontâneo da Guarda Negra da Redentora, composta por negros libertos e alforriados. Essa irmandade jurava defender a Monarquia, tinha devoção pela Princesa Isabel e seguia os preceitos cristão baseados na Bíblia Sagrada.

O nosso Imperador era extremamente culto, era admirador das artes, falava 17 idiomas e essas virtudes se refletiam em nosso cotidiano. O Rio de Janeiro era uma espécie de “cidade modelo”. Tínhamos moedas de ouro puro circulando na nossa cadeia econômica. O Brasil era referência para o mundo. Em 1876, D. Pedro II tornou-se o primeiro monarca a visitar os EUA. Causou tanta admiração entre o povo americano que até recebeu votos por lá para as eleições presidências no ano seguinte. 

Porém, nossa era de prosperidade foi quebrada pela elite republicana, infectada com os ideais nefastos da Revolução Francesa e que tinha o desejo de “imitar” o sistema político dos EUA. Veio o golpe republicano e, por consequência, o nosso grandioso Império foi reduzido à uma ditadura militar, no período que ficou conhecido como a “República da Espada”. Passado esse estágio inicial da nossa desgraça, “recebemos” então a “República Oligárquica” com a sua “Política do Café com Leite”. Essa foi a origem de todos os problemas que amargamos até hoje, no século XXI. Foi uma verdadeira revolução no Brasil sem qualquer participação popular.

A partir desse período a “elite republicana” começou a governar a nação apenas visando os seus próprios interesses. A velha conexão que o Império tinha com o seu povo, através de D. Pedro II, foi quebrada desde então. Os brasileiros foram “esquecidos” e passaram a ser massacrados pelos governantes republicanos até os dias atuais. 

Nesse meio tempo, toda resistência monárquica era reprimida com agressividade. E foi justamente com este ímpeto que a República protagonizou o maior e mais brutal massacre da nossa história: a Guerra de Canudos. Tudo começou quando o Beato Antônio Conselheiro, líder espiritual cristão, fundou um “arraial” próspero, às margens do Rio Vaza Barris, no tão sofrido semiárido baiano. O Arraial de Canudos foi um alento para o povo sertanejo que sofria com a tirania dos coronéis, membros da elite republicana que idealizou o golpe.

O Canudos era uma comunidade sócio-religiosa cristã, livre e, como seu líder, negava a república e prestava reverência apenas ao Imperador D. Pedro II. Com essas características, não demorou muito para que os sertanejos despertassem a ira da República, que decidiu cortar o “mal” pela raiz. O governo republicano mobilizou mais da metade do contingente do Exército Brasileiro para travar uma guerra com os camponeses que durou cerca de 1 ano. O resultado disso foi o massacre de todos os habitantes do Arraial de Canudos. Os homens pereceram em combate. As mulheres e crianças, já rendidos, foram todos sumariamente degolados. Não sei se a República é algo satânico. Mas ela foi a responsável pelo maior crime já cometido em nossas terras.

Para tentar fazer com que a mancha da Guerra de Canudos fosse esquecida, o governo republicano tratou de construir o açude de Cocorobó por cima do arraial, usando a velha estratégia de criar uma narrativa benéfica ao redor da obra. Depois de fazer o mal, tentaram esconder as suas vergonhas sob o pretexto de fazer o “bem” para o povo sertanejo. Mas, ao meu ver, as águas do açude de Cocorobó representam o sangue derramado de cerca de 25 mil sertanejos pelas mãos cruéis da República do Brasil.

A República, através do advento trágico da Guerra de Canudos, também foi a responsável pelo surgimento da primeira favela do Brasil. Como pagamento pelos “serviços de guerra”, o governo republicano deveria fornecer moradias dignas aos combatentes do Exército Brasileiro após o conflito. Porém, isso não foi honrado. Após o calote, os soldados passaram a ocupar com as suas famílias o Morro da Providência, na cidade do Rio de Janeiro. Eram moradias muito precárias. A palavra “favela” representa o nome de uma árvore típica do semiárido baiano e muito comum nas colinas que rodeavam o canteiro de combate da Guerra de Canudos. É justamente daí que vem a denominação dada pelos soldados para as suas moradias precárias espalhadas pelo morro.

Decerto, o nosso nefasto período histórico que contempla a República é extenso em tragédias e desgraças. Instabilidade política perene, crises econômicas infindáveis, golpes militares, ditaduras. Em 132 anos de período republicano tivemos 6 constituições contra apenas uma única constituição em 65 anos de Império. E por falar na Constituição do Império de 1824 vamos dar uma olhada no artigo 145 do capítulo VIII: 

“Art. 145. Todos os Brazileiros são obrigados a pegar em armas, para sustentar a Independencia, e integridade do Imperio, e defendel-o dos seus inimigos externos, ou internos.”

Posso imaginar a sua cara de espanto agora ao descobrir que, enquanto a República te desarmou para tentar de escravizar, o Império te obrigava a “pegar em armas” para se defender e defender a nação de “inimigos externos ou internos”. Agora eu pergunto: será mesmo que o sistema republicano brasileiro de preocupa com você?

Falamos aqui sobre apenas alguns dos muitos aspectos que mostram como a república é ilegítima. Ela foi empurrada para o povo brasileiro, goela abaixo, sem o seu consentimento. O sistema republicano corrói as entranhas na nossa alma há mais de um século. E isso vai continuar enquanto a nossa verdadeira historia estiver sendo sonegada do imaginário dos brasileiros. O nosso povo será o antídoto da nossa tragédia futura no momento quem a verdade for exposta diante dele. E já seria um excelente começo se todos tivessem a consciência de que, na verdade, o dia 15 de novembro é um dia de luto para quem é Brasileiro.