A chapa encabeçada pelo médico Júlio Braga, que disputa a diretoria do Sindicato dos Médicos da Bahia (Sindimed-BA), denuncia favorecimento da comissão provisória eleitoral à chapa adversária. As principais queixas envolvem a permanência inicial de candidatos inelegíveis na composição opositora e o suposto uso irregular de dados pessoais de sindicalizados para envio de propaganda.
O candidato a vice-presidente Marcelo Galvão lidera as críticas. Ele afirma que dois integrantes da chapa rival — Humberto Barreto de Jesus e Wagner Oliveira Bonfim — não cumpriam o requisito estatutário de filiação ao sindicato até 30 de outubro de 2025, seis meses antes do fim do mandato anterior. Mesmo assim, a comissão provisória homologou a candidatura deles.
Após impugnação apresentada pela chapa de Júlio Braga, a comissão rejeitou o pedido alegando situação excepcional no processo. A Justiça, porém, decidiu diferente. Em liminar, o juiz do Trabalho Rafael Yoshida Rocha reconheceu a inelegibilidade dos dois e determinou sua exclusão da disputa.
Na quinta-feira (25), a comissão substituiu os nomes excluídos pelos suplentes Adielma do Socorro e Salvador Luiz de Carvalho. Para a chapa de Júlio Braga, a medida viola o artigo 17 da resolução eleitoral, que proíbe substituição de candidatos impugnados e exige que as 22 vagas estejam preenchidas no registro inicial. Com isso, os opositores questionam a validade da candidatura de Tiago Almeida, que lidera a chapa adversária e é filho do deputado federal Daniel Almeida (PCdoB).
Marcelo Galvão também questiona a imparcialidade da comissão provisória. Segundo ele, o colegiado foi eleito majoritariamente pela oposição em votação presencial, o que dificultou a participação de médicos da sua corrente. “Essa comissão é tão suspeita que a ata notarial usada na primeira ação judicial contra nós foi lavrada por um dos seus membros”, declarou Galvão.
Outra denúncia diz respeito ao envio de mensagens de campanha via WhatsApp. Médicos relataram ter recebido propaganda da chapa de Tiago Almeida. Um integrante da equipe de Júlio Braga contatou o número dos disparos e, conforme Galvão, uma atendente da empresa de marketing teria informado que os contatos foram fornecidos pelo próprio sindicato — o que configuraria violação à Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD).
Em nota oficial, a comissão provisória negou todas as acusações. Afirmou atuar de forma equidistante entre as duas chapas e garantiu não ter fornecido qualquer lista de contatos em desacordo com a LGPD. A divulgação de dados de votantes, segundo o colegiado, ocorre de maneira preservada no site do sindicato, sem informações sensíveis como telefones ou e-mails.
A eleição para a nova diretoria do Sindimed-BA está prevista para a próxima segunda-feira (29). O pleito segue sob forte tensão entre as partes envolvidas.
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