Resort Tayayá ligado à família de Toffoli opera sem licença ambiental

Instalações do complexo paranaense funcionam irregularmente há anos, segundo relatórios do órgão ambiental, enquanto parentes do ministro do STF aparecem em sociedades do empreendimento
Por: Brado Jornal 26.jan.2026 às 11h33
Resort Tayayá ligado à família de Toffoli opera sem licença ambiental
Gustavo Moreno/STF
O Resort Tayayá, situado em Ribeirão Claro, no Paraná, continua com parte de suas instalações em funcionamento sem a devida licença ambiental operacional, conforme apontam relatórios do Instituto Água e Terra (IAT) desde 2021. Os documentos revelam irregularidades como a falta de permissões para as construções e para a exploração comercial do local, além de o edifício principal apresentar mais pavimentos do que o autorizado em área destinada à recuperação ambiental.

A licença obtida recentemente refere-se exclusivamente à execução das obras de expansão, sem qualquer autorização para o início das atividades comerciais. Imóveis de alto padrão foram erguidos em zona reservada para compensação ambiental, o que obrigou a administração do empreendimento a transferir 19 mil m² de terreno ao município de Ribeirão Claro como medida de regularização. O IAT planeja realizar uma inspeção técnica ainda nesta semana para verificar se as exigências foram atendidas e, assim, avaliar a concessão da licença de operação, pedida em 2025. Pareceres técnicos indicam a necessidade de uma Licença Ambiental de Regularização, acompanhada de compensações pelo excesso de andares construídos.

Embora o ministro do STF Dias Toffoli nunca tenha sido sócio formal do resort, ele frequenta o local com assiduidade. Parentes do ministro já integraram o quadro societário do empreendimento. A Maridt S.A., empresa associada ao Tayayá e registrada em Marília (SP), tem Cássia Pires Toffoli, esposa de José Eugênio, irmão de Toffoli, entre seus envolvidos.
Questionada pelo jornal O Estado de S. Paulo, ela afirmou desconhecer a participação do marido no negócio.
Esse vínculo familiar tem gerado debates sobre possível conflito de interesses de Toffoli na relatoria de processos relacionados ao Banco Master.

O pastor Fabiano Zettel, cunhado de Daniel Vorcaro (controlador do Banco Master), foi o principal cotista dos fundos que aportaram R$ 20 milhões no resort.
Ele gerenciava o fundo Leal, investidor no fundo Arleen, que efetuou repasses entre 2021 e 2025 e se tornou sócio das empresas do complexo.
Documentos da Junta Comercial do Paraná indicam que o fundo Arleen adquiriu metade das cotas antes pertencentes aos irmãos de Toffoli nas empresas Tayayá e DGEP, totalizando R$ 6,6 milhões.

O Banco Master foi liquidado extrajudicialmente pelo Banco Central em novembro do ano passado, após investigações da Polícia Federal sobre a emissão de R$ 12 bilhões em títulos falsos na Operação Compliance Zero. A Reag Investimentos, gestora dos fundos ligados a Zettel, também está sob apuração. Toffoli assumiu a relatoria do caso após solicitação da defesa de Vorcaro para que o processo fosse transferido diretamente ao STF.

Adicionalmente, os irmãos José Eugênio e José Carlos Toffoli participaram de outro projeto Tayayá em São Pedro, próximo ao Rio Paraná e à fronteira com Mato Grosso do Sul, em sociedade com o apresentador Carlos Alberto Massa, o Ratinho. Eles alienaram sua fatia de 18% em fevereiro do ano passado; a iniciativa prevê 240 apartamentos e 300 casas, algumas com área superior a 300 m².


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