O escândalo envolvendo o Banco Master, que resultou na liquidação extrajudicial decretada pelo Banco Central em janeiro de 2026, gerou consequências financeiras diretas para alguns dos principais clubes do futebol brasileiro, incluindo interrupções em repasses, questionamentos em contratos de patrocínio e investigações sobre aportes suspeitos.
No caso do Corinthians, o fundo Arena Fundo de Investimento Imobiliário, gerido pela Reag (bloqueada pela Justiça após a crise do Master), parou de efetuar repasses há mais de duas semanas, impactando fornecedores da Neo Química Arena. O clube, em parceria com a Caixa Econômica Federal, iniciou desde novembro de 2025 negociações para trocar administradora e gestora, após rigorosa análise de compliance. A Caixa já aprovou indicações para novos responsáveis, e o processo agora depende de aval da CVM (Comissão de Valores Mobiliários). O Timão reforça que preservou sua governança e interesses institucionais durante a transição.
Já o Palmeiras viu sua parceria de patrocínio com o Grupo Fictor, empresa ligada ao universo do Master, entrar em alerta após o pedido de recuperação judicial protocolado pela Fictor em fevereiro de 2026, com dívidas de cerca de R$ 4 bilhões. O contrato, assinado em março de 2025 por três anos (com opção de mais um), prevê R$ 30 milhões anuais (R$ 25 milhões fixos + R$ 5 milhões em metas), com exposição máster na camisa principal e nas categorias de base. Até o momento, os pagamentos estavam em dia, mas o clube tomou conhecimento da RJ pela imprensa e encaminhou o tema ao jurídico para avaliar providências.
A Fictor afirma que a medida visa reorganizar operações sem prejuízo imediato a compromissos.
O Atlético-MG recebeu aporte de R$ 300 milhões de fundo ligado a Daniel Vorcaro (controlador do Master) por meio da Sociedade Anônima do Futebol (SAF) do clube, via Astralo 95, estrutura sob escrutínio da Procuradoria-Geral da República por suspeita de desvio de recursos do banco. O Galo esclarece não ter ingerência na gestão do fundo, nem em suas operações ou cotistas, mantendo-se afastado das investigações.
O esquema do Master, investigado na Operação Carbono Oculto desde agosto de 2025, envolveu R$ 11,5 bilhões em operações entre 2023 e 2024, muitas via fundos da Reag, com suspeitas de triangulações e ativos sem lastro. A crise ampliou o alcance para o esporte, forçando clubes a reverem estruturas financeiras e contratos em meio a bloqueios judiciais e análises regulatórias.
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