Esquema de fraudes no Farmácia Popular pode ter causado prejuízo de R$ 30 milhões

Operação conjunta da PF, Receita e CGU cumpre buscas em quatro estados após denúncia de uso irregular de CPF
Por: Brado Jornal 12.fev.2026 às 09h10
Esquema de fraudes no Farmácia Popular pode ter causado prejuízo de R$ 30 milhões
Divulgação
Uma ação integrada entre Polícia Federal (PF), Receita Federal e Controladoria-Geral da União (CGU) desvendou uma rede criminosa suspeita de desviar recursos públicos do Programa Farmácia Popular, política federal que fornece medicamentos gratuitos ou com grande desconto à população. A operação batizada de “OTC – Over The Counter” estima prejuízo aos cofres da União na ordem de R$ 30 milhões.

Tudo começou com uma denúncia comum: uma cidadã descobriu que seu CPF havia sido utilizado indevidamente para registrar compras fictícias de remédios. A partir daí, em 2023, as investigações identificaram irregularidades em um estabelecimento no Mato Grosso do Sul, que serviu de ponto de partida para mapear o esquema mais amplo.

Os suspeitos assumiam o controle de farmácias já credenciadas no programa, comprando CNPJs ativos e alterando a titularidade para nomes ligados ao grupo. Depois, inseriam milhares de registros falsos de vendas no sistema do governo, gerando créditos indevidos pagos pelo Fundo Nacional de Saúde (vinculado ao Ministério da Saúde). Com os recursos recebidos, as drogarias paravam de atender o público real, acumulavam dívidas tributárias e mantinham contas bancárias apenas para captar os repasses federais.

Para ocultar o dinheiro desviado, o grupo recorria a transferências entre várias empresas, saques em casas lotéricas e pagamentos em cascata de boletos, dificultando o rastreamento. Parte dos valores era direcionada a uma figura central da organização.

Na terça-feira, 10 de fevereiro de 2026, equipes cumpriram quatro mandados de busca e apreensão em cidades da Paraíba, Minas Gerais, Rio Grande do Sul e São Paulo. Os alvos foram selecionados pela maior chance de encontrar provas documentais e contabilidade paralela. A força-tarefa pretende bloquear bens e ativos para recuperar o dinheiro público e responsabilizar os envolvidos.


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