Virginia Fonseca teria ganho 30% sobre perdas de apostadores, diz MP

Nova ação civil pública acusa influenciadora de integrar esquema de captação de clientes para plataforma Blaze durante a Copa do Mundo de 2026
Por: Brado Redação 10.jul.2026 às 14h35
Virginia Fonseca teria ganho 30% sobre perdas de apostadores, diz MP
Foto: Reprodução/Instagram

O Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT) apresentou uma Ação Civil Pública na qual aponta que a influenciadora Virginia Fonseca poderia receber comissão de 30% sobre os prejuízos dos apostadores que seguissem suas orientações na plataforma Blaze. A investigação revela um suposto modelo estruturado de atração de usuários, com foco em jogos da Copa do Mundo deste ano.

De acordo com o documento, Virginia, que conta com mais de 56 milhões de seguidores nas redes sociais, incentivou o público a apostar na vitória de Cabo Verde contra a Argentina. A seleção sul-americana venceu por 3 a 2, resultando em perdas totais para quem acatou a sugestão. O MP afirma que esse tipo de abordagem integra uma estratégia voltada à maximização de apostas, em detrimento da proteção ao consumidor.

A ação, ajuizada na última quinta-feira (8), solicita a condenação solidária da empresa Blaze e da influenciadora ao pagamento de R$ 120 milhões em indenização por danos morais coletivos. O valor foi estimado com base em uma projeção conservadora de R$ 600 milhões anuais em receita bruta da plataforma. O processo teve origem em denúncias de usuários que relataram retenção de saldos, bloqueios de contas e dificuldades para efetuar saques.

Relatórios técnicos compilados pelo MP reuniram mais de 42 mil reclamações contra a Blaze, apontando violações recorrentes aos direitos do consumidor, como bônus com condições abusivas. Em relação a Virginia, o promotor Paulo Binicheski destaca que os conteúdos publicados durante a Copa não deixavam claro o caráter publicitário, apresentando as apostas como recomendações pessoais, especialmente no confronto envolvendo Cabo Verde.

As investigações indicam ainda remuneração vinculada às perdas dos apostadores captados, o que configuraria conflito de interesses e agravaria os riscos aos usuários. O MP critica a estratégia da empresa de utilizar celebridades para promover a “fantasia do dinheiro fácil”, reforçando que a única aposta certa favorece a casa.

A Foggo Entertainment Ltda, operadora da Blaze no Brasil, informou que ainda não foi formalmente notificada sobre a ação. Em nota, a empresa afirmou manter compromisso com a transparência, conformidade legal e práticas de jogo responsável, garantindo que prestará esclarecimentos assim que intimada.

A defesa de Virginia Fonseca, por sua vez, tomou conhecimento da ação pela imprensa e declarou que responderá nos autos. Os advogados ressaltaram a existência de diligências pendentes, como a análise de contratos e remunerações, e refutaram qualquer ideia de conluio ou intenção predatória. Segundo a nota, as alegações baseiam-se em presunções e a influenciadora confia no Judiciário para demonstrar a improcedência dos pedidos.



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