O agricultor Sidrônio Moreira, morador de Tabuleiro do Norte, no interior do Ceará, demonstrou satisfação após receber a confirmação oficial da Agência Nacional do Petróleo (ANP) de que o líquido encontrado em seu sítio é petróleo cru. A notícia chegou à família na última quarta-feira (20), por meio de um e-mail enviado ao filho Saullo Moreira.
“Fiquei muito satisfeito com a notícia”, declarou Sidrônio, homem de poucas palavras. Apesar da alegria, ele e a família evitam entusiasmo excessivo, conscientes de que a descoberta representa apenas o início de um longo processo.
A confirmação da ANP abre caminho para uma avaliação técnica mais profunda da área. Não há prazo definido para as próximas etapas, que incluem estudos geológicos, análise ambiental e possível inclusão do terreno em um bloco exploratório para futura licitação. Somente após todas essas fases, e caso uma empresa adquira os direitos, poderia começar a exploração efetiva.
Saullo Moreira, filho do proprietário, reforçou que a família entende o cenário com realismo. “É apenas o começo de um processo muito maior. Ainda há várias etapas pela frente”, explicou. Até o momento, a família teve apenas gastos com a perfuração inicial do poço, feita em novembro de 2024 com o objetivo de buscar água para enfrentar as secas da região.
O líquido escuro e viscoso foi encontrado a cerca de 30 metros de profundidade. Após a surpresa, a ANP analisou o material e comprovou tratar-se de petróleo cru, com características semelhantes ao encontrado em áreas terrestres da Bacia Potiguar.
Pela legislação brasileira, o subsolo pertence à União. Caso a exploração seja viável e ocorra no futuro, Sidrônio terá direito a receber royalties sobre a produção.
A ANP também encaminhou o caso à Secretaria do Meio Ambiente do Ceará para eventuais orientações ambientais. Enquanto isso, o órgão federal estuda a possibilidade de incluir a área na Oferta Permanente de Concessão, embora sem garantia de que isso acontecerá.
A história ganhou repercussão nacional após a primeira análise do Instituto Federal do Ceará (IFCE) e da Universidade Federal do Semi-Árido (Ufersa), que já apontavam forte indício de hidrocarbonetos. Agora, com a confirmação da ANP, a família segue aguardando os próximos desdobramentos com esperança, mas sem expectativas imediatas de retorno financeiro.
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