A Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) iniciou apuração para verificar se um dos helicópteros envolvidos na colisão aérea de domingo (14) no Rio de Janeiro realizava transporte remunerado de forma irregular. O acidente, que matou seis pessoas, ocorreu na região do Recreio dos Bandeirantes.
A informação foi confirmada pelo presidente da agência, Thiago Faierstein, que destacou indícios preliminares de atividade clandestina em pelo menos uma das aeronaves. A investigação visa esclarecer se o helicóptero de prefixo PP-MAC operava sem a devida autorização para voos comerciais com passageiros.
A tragédia envolveu duas aeronaves que se chocaram no ar. Na primeira, estavam o youtuber argentino Gaspi, o cantor americano Oliver Tree, o produtor musical brasileiro Lucas Frota, o cineasta argentino Lucas Vignale e o piloto Alexandre Souza. Todos perderam a vida na queda da aeronave que seguia rumo a Angra dos Reis.
O segundo helicóptero, identificado como PR-DJJ, transportava apenas o piloto Charles Marsillac, que também não sobreviveu. Essa aeronave tinha destino à região serrana do estado.
Segundo a Anac, o helicóptero PP-MAC não possuía licença para transporte remunerado, embora carregasse cinco pessoas a bordo. O órgão reforça que aeronaves privadas não podem cobrar por voos, devendo ser usadas apenas pelo proprietário, operador ou seus convidados sem qualquer compensação financeira.
Faierstein ressaltou que ambos os pilotos eram experientes e atuavam como instrutores de voo, conforme já havia informado o prefeito do Rio, Eduardo Cavaliere. As aeronaves estavam com documentação regular, mas a agência analisa denúncias sobre possíveis irregularidades no uso comercial.
No caso do segundo helicóptero, seu proprietário, Maurício da Cunha e Silva, mantinha um acordo com a Prefeitura do Rio para ceder horas de voo em troca de acesso ao heliponto da Lagoa Rodrigo de Freitas. A Anac considera esse contrato irregular, pois não havia autorização prévia do órgão. Nem o dono da aeronave nem a prefeitura se pronunciaram sobre o tema até o momento.
Investigadores do Cenipa, centro ligado à Força Aérea Brasileira especializado em acidentes aéreos, assumiram a análise técnica das causas da colisão. O trabalho busca determinar fatores como falhas mecânicas, erros humanos ou problemas de tráfego aéreo que levaram ao choque.
O acidente chocou o país e reacendeu debates sobre a fiscalização do transporte aéreo privado no Brasil, especialmente em rotas turísticas e executivas comuns no Rio de Janeiro. A Anac informou que possui várias denúncias em andamento sobre operações semelhantes e reforçou o compromisso de coibir o transporte clandestino para garantir a segurança.
As famílias das vítimas ainda lidam com o luto, enquanto as autoridades prosseguem com os trabalhos periciais nos destroços das aeronaves. O resultado final das investigações deve trazer mais detalhes sobre as circunstâncias que culminaram na tragédia.
Deixe sua opinião!
Assine agora e comente nesta matéria com benefícos exclusivos.
Sem comentários
Seja o primeiro a comentar nesta matéria!
Carregando...