Um vídeo de reconciliação entre Michelle Bolsonaro e o senador Flávio Bolsonaro, divulgado nas redes em 23 de julho de 2026, terminou de forma inesperada. Nos últimos instantes da gravação, a reprodução automática de stories no WhatsApp expôs a tela de conversas de quem registrava o material. O deslize operacional mostrou uma lista de contatos que ligava a assessoria de comunicação de Michelle, a Secretaria de Comunicação do Supremo Tribunal Federal e o grupo de imprensa do governador de Minas Gerais, Romeu Zema.
O status gravado pertencia a André Costa, salvo na agenda como “Ascom Michelle Bol.”. Nele, Michelle falava sobre ter se afastado de articulações políticas e aceitava as desculpas de Flávio. A crise entre os dois havia se tornado pública em junho, quando ela o acusou de maus-tratos e humilhação, e se arrastou até o gesto de reconciliação no mês seguinte.
Na tela final aparecia a lista de um jornalista identificado como “Leo”, vinculado ao Brasil 247, site fundado por Leonardo Attuch e alinhado ao Partido dos Trabalhadores. Entre os contatos visíveis estavam André Costa, que enviou às 14h56 a mensagem “Será um prazer receber os materiais da sua lista de transmissão e conhecê-lo”; “Gisely STF”, cuja última interação foi um “Obrigado” às 15h55; e o grupo “Comunicação Zema”, com registro de adição de número por Igor Tinoco.
A mensagem de Costa indica que o assessor havia proposto compartilhar conteúdos de sua lista de transmissão com o jornalista, que aceitou e ainda demonstrou interesse em um encontro pessoal. O episódio ganha peso pelo histórico de Costa. Em dezembro de 2025, antes da confirmação oficial da candidatura de Flávio, ele enviou à própria lista mensagens que desacreditavam a notícia, classificando-a como “ridícula”. Minutos depois, Michelle publicou um recado desejando sucesso ao enteado. Questionado, Costa explicou que a mensagem saiu antes da confirmação. Ao longo do mês, parlamentares do PL também reclamaram de repostagens suas que repercutiam críticas a Flávio, incluindo pesquisas e declarações de Silas Malafaia. Costa negou oposição e atribuiu as ações a curtidas automáticas.
O contato “Gisely STF” corresponde a Giselly Siqueira, secretária de Comunicação Social do STF desde julho de 2025, nora de Míriam Leitão e esposa de Vladimir Netto, da TV Globo. Já o grupo de Zema reforça a presença de canais que cruzam campos políticos distintos.
Em nota divulgada por O Antagonista, o coronel André de Sousa Costa, ex-assessor de comunicação do PL Mulher, afirmou que o fragmento circulou sem contexto e com intenção de distorcer. Segundo ele, em meados de julho de 2026 um jornalista desconhecido, Leo Sobreira, o procurou pedindo esclarecimentos sobre uma postagem da então presidente do PL Mulher. Costa forneceu a versão oficial porque a apuração não batia com os fatos. Ao final, ofereceu incluí-lo na lista de transmissão de informações oficiais — procedimento padrão de assessorias — para evitar burburinhos e notícias equivocadas. O jornalista aceitou. Costa classificou como “incorretas, maldosas e descabidas” as interpretações de que estaria fornecendo material de forma maliciosa para prejudicar alguém.
A aparente trégua entre Michelle e Flávio encerrou uma crise que começou com o desabafo dela sobre a tentativa de interferir em alianças do PL no Ceará e resultou no fim do PL Mulher. Michelle não compareceu à convenção que oficializou a candidatura do enteado, mas gravou um vídeo exibido no evento. O vazamento do print, no entanto, reacendeu desconfianças entre apoiadores de Jair Bolsonaro.
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