A Polícia Federal investiga um suposto esquema bilionário centrado em Ricardo Magro, controlador do Grupo Refit (antiga Refinaria de Manguinhos). As apurações avançaram sobre o ex-governador do Rio de Janeiro Cláudio Castro e uma rede de interesses políticos e financeiros em torno da empresa.
As investigações passaram a revelar personagens e articulações que atravessam o ambiente político ligado a Flávio Bolsonaro. Parte dessa teia investigada chega a suspeitas envolvendo armas, fuzis e integrantes do Comando Vermelho.
Não há elemento público que permita afirmar que Flávio Bolsonaro tenha mandado armas para traficantes. A investigação, no entanto, questiona o que ocorria nessa rede de interesses bilionários, que envolve o governo do Rio e personagens ligados ao tráfico de armas.
A Operação Sem Refino, autorizada pelo Supremo Tribunal Federal, apura fraudes fiscais, sonegação de impostos, ocultação patrimonial, evasão de recursos ao exterior, gestão fraudulenta, lavagem de dinheiro e crimes contra a ordem econômica no setor de combustíveis. Foi determinado o bloqueio de aproximadamente R$ 52 bilhões em ativos financeiros e a suspensão de atividades econômicas de empresas investigadas. Cumpriram-se mandados de busca e apreensão e medidas de afastamento de funções públicas no Rio de Janeiro, São Paulo e Distrito Federal. Magro, que reside nos Estados Unidos, teve prisão preventiva decretada e nome incluído na Difusão Vermelha da Interpol.
Segundo as apurações, Cláudio Castro teria atuado para criar ambiente favorável às atividades do conglomerado Refit, inclusive por meio de programa de refinanciamento tributário e outras medidas administrativas. Relatórios da Polícia Federal apontam leniência e cooptação de estruturas estaduais em benefício do grupo. Há menção a encontros entre Castro e Magro, inclusive em Nova York, e a intervenções em órgãos como secretarias de Estado e a Procuradoria-Geral do Estado.
As investigações se inserem no contexto da ADPF das Favelas, voltada a organizações criminosas no Rio de Janeiro e possíveis conexões com agentes públicos. Desdobramentos anteriores, como a Operação Carbono Oculto, apontam ligações do grupo a esquemas de contrabando de armas dos Estados Unidos, incluindo fuzis AK-47 e AR-10 enviados em contêineres, com intermediários conectados a facções como o Comando Vermelho e o PCC.
A investigação continua em andamento, com novas fases que incluem mandados adicionais e aprofundamento sobre a atuação de agentes públicos e possíveis lavagens de dinheiro.
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