Bancos centrais globais, incluindo o do Brasil, expressam solidariedade a Jerome Powell

Comunicado conjunto defende independência das autoridades monetárias em meio a investigação criminal nos EUA e pressões políticas
Por: Brado Jornal 13.jan.2026 às 14h24
Bancos centrais globais, incluindo o do Brasil, expressam solidariedade a Jerome Powell
Evelyn Hockstein/Reuters
Líderes de diversos bancos centrais ao redor do mundo divulgaram, nesta terça-feira (13 de janeiro de 2026), uma nota conjunta em apoio irrestrito a Jerome Powell, presidente do Federal Reserve (Fed), o banco central dos Estados Unidos. Entre os signatários está Gabriel Galípolo, presidente do Banco Central do Brasil, ao lado de nomes como Christine Lagarde (Banco Central Europeu), Andrew Bailey (Banco da Inglaterra) e outros dirigentes de instituições de países como Canadá, Austrália, Coreia do Sul, Suíça, Noruega, Dinamarca e Suécia, além de representantes do Banco de Compensações Internacionais.

A manifestação ocorre após o Departamento de Justiça dos EUA abrir uma investigação criminal contra Powell, supostamente ligada a reformas no prédio-sede do Fed. O próprio Powell classificou a ação como um pretexto para ampliar a influência da Casa Branca sobre as decisões de política monetária, especialmente as taxas de juros.

O comunicado destaca a independência dos bancos centrais como pilar essencial para garantir a estabilidade de preços, financeira e econômica, sempre em prol dos cidadãos. Os signatários elogiam Powell por conduzir sua função com integridade, dedicação ao mandato e compromisso firme com o interesse público, descrevendo-o como um colega respeitado.

A declaração enfatiza: “Estamos em total solidariedade com o Sistema do Federal Reserve e seu chair, Jerome H. Powell”. O grupo reforça que a autonomia das autoridades monetárias é fundamental para o bem-estar coletivo e a confiança nos sistemas econômicos.

O contexto envolve crescentes tensões políticas nos EUA, com críticas recorrentes do ex-presidente e atual influenciador Donald Trump ao Fed. Trump já chamou Powell de “burro” e “teimoso”, defendendo cortes mais agressivos nas taxas de juros, atualmente entre 3,5% e 3,75% ao ano, para impulsionar a economia.

Essa é uma iniciativa rara e inédita na comunidade internacional de bancos centrais, sinalizando preocupação global com possíveis interferências políticas na condução da política monetária americana. A nota foi divulgada logo após pronunciamento de Powell em 11 de janeiro, e reflete o temor de que pressões externas possam comprometer a credibilidade e a eficácia das instituições monetárias em escala mundial.


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