Petróleo despenca mais de 10% após fala de Trump

Brent opera abaixo de US$ 100 e WTI cai forte; presidente dos EUA anuncia conversas produtivas com Irã e adia ataques a infraestrutura energética por cinco dias, aliviando temores de escalada no Oriente Médio
Por: Brado Jornal 23.mar.2026 às 10h47
Petróleo despenca mais de 10% após fala de Trump
Foto: REUTERS/Angus Mordant
Os contratos futuros de petróleo registraram forte desvalorização nesta segunda-feira (23.mar.2026), com quedas superiores a 10% nos principais índices, revertendo alta anterior que levou o Brent a tocar US$ 113 por barril. O Brent com vencimento mais próximo recuava 10,23% para US$ 100,71, tendo chegado a operar abaixo de US$ 100 durante a sessão, enquanto o WTI caía 10,39% para US$ 88 por barril.

A virada brusca no mercado veio em reação direta a declarações do presidente Donald Trump, postadas no Truth Social. Ele informou que Estados Unidos e Irã mantiveram, nos últimos dois dias, diálogos “muito bons e produtivos” visando uma resolução completa das hostilidades no Oriente Médio. Como consequência, Trump ordenou ao Departamento de Guerra o adiamento por cinco dias de qualquer ataque contra usinas e instalações energéticas iranianas.

A fala gerou alívio imediato entre investidores, que reduziram apostas em interrupções prolongadas no fornecimento global de petróleo. O contexto envolve tensões recentes na região, com foco no Estreito de Ormuz, rota estratégica por onde passa grande parte do óleo mundial, que Trump havia dado 48 horas ao Irã para reabrir, sem resolução definitiva até o momento.

Analistas do Goldman Sachs, em revisão recente, haviam elevado projeções para o Brent a US$ 110 nos meses de março e abril (ante US$ 98 anteriores, alta de 62% sobre a média de 2025), e para o WTI a US$ 98 em março e US$ 105 em abril. O banco alertou que uma redução drástica no fluxo pelo Estreito de Ormuz (para 5% do normal até 10 de abril) poderia impulsionar preços ainda mais, com risco de superar o recorde histórico de US$ 147 do Brent em 2008 caso a restrição durasse dez semanas.

A queda atual reflete expectativa de desescalada militar e manutenção de fluxos de oferta, apesar da capacidade ociosa limitada e riscos concentrados de suprimento. O mercado permanece volátil, atento a desdobramentos nas negociações entre Washington e Teerã e possíveis impactos na inflação global e nas economias dependentes de energia.


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