Empresa americana avança na compra de mineradora de terras raras

Companhia dos Estados Unidos garante recursos bilionários para adquirir operação em Goiás, com apoio financeiro do governo americano
Por: Brado Redação 25.ago.2026 às 09h12
Empresa americana avança na compra de mineradora de terras raras
Reprodução

A USA Rare Earth, empresa norte-americana, deu um passo importante para adquirir a Serra Verde, mineradora brasileira de terras raras localizada em Goiás. Nesta segunda-feira (24), a companhia informou que já assegurou os recursos necessários para fechar o negócio, estimados em US$ 1,55 bilhão, o equivalente a cerca de R$ 7,7 bilhões.

A operação, no entanto, ainda precisa da aprovação dos acionistas em assembleia marcada para esta sexta-feira (28). Parte relevante do financiamento, no valor de US$ 750 milhões (aproximadamente R$ 3,8 bilhões), veio do Departamento de Guerra dos Estados Unidos. Além disso, um grande banco disponibilizou uma linha de crédito de até US$ 500 milhões. O governo americano também se comprometeu a adquirir pelo menos US$ 300 milhões em produtos de terras raras ao longo de cinco anos.

É importante destacar que o governo dos Estados Unidos não está comprando diretamente a Serra Verde. A aquisição será feita pela USA Rare Earth, com apoio financeiro americano e o compromisso separado de compra de parte da produção.

A Serra Verde opera a mina Pela Ema, em Minaçu, no norte de Goiás. A unidade extrai terras raras de depósitos de argila iônica e iniciou a produção comercial em 2024. Entre os elementos produzidos estão neodímio, praseodímio, disprósio e térbio, essenciais para a fabricação de ímãs de alto desempenho usados em veículos elétricos, equipamentos eletrônicos, sistemas de energia e aplicações militares.

Após a conclusão do negócio, a Pela Ema deve se tornar a única mina comercial de terras raras extraídas de argila iônica fora da Ásia. A USA Rare Earth já havia anunciado o acordo de aquisição em 20 de abril deste ano, e mais de US$ 1 bilhão já foi investido no projeto brasileiro.

O interesse dos Estados Unidos está ligado à necessidade de reduzir a dependência da China, que domina grande parte do processamento e do refino dessas matérias-primas estratégicas. O Brasil possui a segunda maior reserva mundial de terras raras, concentrando cerca de 25% do total global, segundo dados do Ministério de Minas e Energia.

Ao apoiar financeiramente a operação e garantir a compra de parte da produção, o governo americano busca assegurar uma fonte estável desses minerais críticos para a indústria de defesa e para a manutenção da vantagem tecnológica em sistemas de armas avançados.



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