Tarifaço de Trump causa perda global de US$ 10 trilhões e abala mercados internacionais

Nova política econômica dos EUA atinge 185 países; Apple lidera prejuízos entre gigantes da tecnologia
Por: Brado Jornal 08.abr.2025 às 08h10
Tarifaço de Trump causa perda global de US$ 10 trilhões e abala mercados internacionais
Alan Santos/Agência Brasil

A nova onda de tarifas implementada pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump (Partido Republicano), desencadeou um terremoto financeiro global. Desde o anúncio oficial da medida, na sexta-feira (4), o mundo contabiliza perdas estimadas em impressionantes US$ 10 trilhões em valor de mercado – cifra superior ao Produto Interno Bruto (PIB) de toda a América Latina, avaliado em US$ 7,9 trilhões, e equivalente a mais da metade do PIB da União Europeia (US$ 18,6 trilhões).

A política tarifária, batizada por Trump como uma “declaração de independência econômica”, impõe taxas entre 10% e 50% sobre importações de 185 países e blocos econômicos. O Brasil foi incluído na alíquota mínima de 10%, mesma aplicada a outras 125 nações. Já a União Europeia foi taxada em 20%, e a China, um dos principais alvos da medida, enfrentará tarifas de até 34%.


Gigantes de tecnologia sentem o baque

O impacto imediato foi sentido em cheio por empresas norte-americanas, especialmente o setor de tecnologia. As chamadas “7 magníficas” — Apple, Google, Nvidia, Meta, Amazon, Microsoft e Tesla — perderam, juntas, US$ 1,64 trilhão em valor de mercado desde o anúncio do tarifaço. A Apple lidera as perdas, com quase US$ 500 bilhões evaporando do seu valor de mercado, principalmente devido à sua dependência de componentes asiáticos.

Curiosamente, cinco dos CEOs dessas empresas — Elon Musk (Tesla), Jeff Bezos (Amazon), Sundar Pichai (Google), Mark Zuckerberg (Meta) e Tim Cook (Apple) — estiveram presentes na cerimônia de posse de Trump em janeiro, o que reacende o debate sobre a real sintonia entre o setor privado e a nova gestão republicana.


Mercados em colapso

A resposta dos mercados foi imediata e dramática. A Bolsa de Hong Kong (Hang Seng) encerrou a segunda-feira (7) com queda de 13,22%, no pior resultado desde a crise financeira asiática de 1997. Em Tóquio, o índice Nikkei 225 chegou a acionar o mecanismo de circuit breaker, após recuar 8% em poucos minutos.

Na Europa, as principais bolsas abriram em queda, refletindo o temor de uma nova escalada protecionista. Nos Estados Unidos, o cenário também foi negativo: às 10h45 (horário de Brasília) de segunda-feira, o Dow Jones recuava 4,10%, o S&P 500 caía 4,38% e a Nasdaq, fortemente ligada à tecnologia, registrava queda de 4,86%.


Um novo capítulo do protecionismo

Trump classificou a medida como “um dos momentos mais importantes da história norte-americana”, reafirmando sua visão de uma economia fortemente nacionalista. Economistas, no entanto, alertam para os riscos de um colapso no comércio global, com efeitos duradouros sobre cadeias de produção, inflação e empregos.

As consequências do tarifaço ainda estão em desenvolvimento, mas o que já se desenha é um cenário de instabilidade global com repercussões políticas, econômicas e diplomáticas profundas — em um mundo que, mais uma vez, se vê diante de uma virada protecionista no coração da maior economia do planeta.



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