Estados Unidos planejam sanções contra autoridades brasileiras, segundo analista

Novas medidas visam STF e governo Lula em retaliação a decisões judiciais e regulamentações
Por: Brado Jornal 28.jul.2025 às 11h36
Estados Unidos planejam sanções contra autoridades brasileiras, segundo analista
Foto: Julia Demaree Nikhinson/AP
Os Estados Unidos estão elaborando sanções contra membros do Supremo Tribunal Federal (STF) e do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, conforme informou o analista de assuntos internacionais Lourival Santana, em entrevista à CNN. As medidas, que devem ser anunciadas nos próximos dias, seriam uma resposta às punições impostas ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL-SP) e aos esforços do Brasil para regulamentar as big techs.

Segundo Santana, as sanções serão baseadas na Lei Magnitsky, legislação americana que permite impor restrições econômicas e proibições de entrada nos EUA a indivíduos acusados de corrupção ou violações de direitos humanos. As ações previstas incluem:

  • Congelamento de ativos e bens localizados em território americano;
  • Restrição de acesso a serviços bancários e comerciais;
  • Aplicação de sanções secundárias, afetando empresas ou instituições que negociem com os alvos.
O analista explicou ao Poder360 que os bancos onde os sancionados possuem contas podem ser pressionados a encerrá-las, sob risco de perderem acesso a transações com instituições financeiras dos EUA, incluindo suas filiais internacionais.

Além disso, Santana destacou que os EUA consideram uma escalada diplomática, como o possível descredenciamento da embaixadora brasileira em Washington, Maria Luiza Viotti, o que equivaleria à sua expulsão e a um rebaixamento das relações bilaterais. O plano, já apresentado ao secretário de Estado americano, senador Marco Rubio, seria parte de uma estratégia do presidente Donald Trump para reforçar sua influência ideológica na América Latina, com possíveis medidas semelhantes contra México e Colômbia, governados por lideranças de esquerda.

Tensões com Lula e Moraes impulsionam sanções

A iniciativa americana ganhou força após recentes decisões do ministro do STF Alexandre de Moraes e declarações do presidente Lula. Moraes determinou que Jair Bolsonaro usasse tornozeleira eletrônica e vetou entrevistas do ex-presidente em redes sociais, além de proibir uma manifestação pacífica do deputado Hélio Lopes na Praça dos Três Poderes. Tais medidas foram consideradas “inconcebíveis” no contexto do direito americano, onde protestos em frente à Casa Branca são comuns.

Lula, por sua vez, intensificou a retórica ao sugerir que Trump estaria “trucando” – uma referência ao jogo de truco, onde o blefe é estratégia comum. O presidente brasileiro afirmou que “se Trump estava trucando, o Brasil iria pedir 6”, insinuando que as ameaças americanas seriam um blefe. Ele também reclamou da falta de diálogo com os EUA, sem mencionar que, em 2024, classificou Trump como uma “espécie de nazismo e fascismo com nova cara” e que o Brasil não solicitou reuniões presidenciais com a Casa Branca desde a posse do republicano, com Lula alegando “não ter assunto” e que “teria de ficar contando piada”.

As sanções, segundo Santana, refletem a reativação de tensões que haviam diminuído temporariamente, como reportado pelo Poder360 há uma semana, mas que voltaram a crescer devido à postura de Lula e às decisões de Moraes.


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