A regra de minimis, que por quase um século permitia a entrada de pacotes internacionais de até US$ 800 nos Estados Unidos sem impostos, chegou ao fim nesta sexta-feira (29). Desde 2015, essa norma impulsionava o comércio de empresas globais, especialmente sites chineses como Shein, Temu e AliExpress, que vendiam diretamente aos consumidores americanos produtos como roupas, móveis e eletrônicos, livres das tarifas aplicadas a encomendas acima desse valor. Agora, todas as importações enfrentam taxas de 10% a 50%, dependendo da origem, ou tarifas fixas de US$ 80 a US$ 200 pelos próximos seis meses.
A mudança impactou a logística global. Serviços postais de países como Japão, Austrália, Taiwan, México e Europa suspenderam envios aos EUA, citando dificuldades de adaptação às novas regras. A DHL, que paralisou remessas padrão da Alemanha, mas mantém operações de outros países, alertou para possíveis atrasos na transição. Já a UPS garantiu estar pronta para implementar as mudanças sem problemas. O Serviço Postal dos EUA e a FedEx optaram por não comentar sobre possíveis atrasos. Susan Thomas, comissária interina do Escritório de Comércio da Alfândega e Proteção de Fronteiras (CBP), afirmou que a agência está preparada com sistemas atualizados e diretrizes claras para transportadoras e parceiros.
Pequenos empresários americanos podem se beneficiar com a nova política. Steve Raderstorf, dono da Scrub Identity, que comercializa uniformes médicos em duas lojas nos EUA, acredita que a medida nivela a concorrência. Diferentemente de gigantes como Amazon e Walmart, que lucraram bilhões em 2022 com vendedores terceirizados explorando a isenção, sua empresa pagava tarifas sobre todas as importações. Um relatório de 2023 da Coalition for a Prosperous America aponta que grandes varejistas se beneficiaram desproporcionalmente da regra.
Raderstorf vê na mudança uma chance de fortalecer o comércio local. “O dinheiro que fica na comunidade apoia times locais de futebol ou beisebol. Quando vai para a China, não retorna”, disse. Dados da Casa Branca mostram que, após a suspensão da isenção para China e Hong Kong, os pacotes isentos caíram de 4 milhões para 1 milhão por dia. Apesar das preocupações com o aumento de preços, ele acredita que a medida incentivará os consumidores a valorizarem os varejistas locais.
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