Bill e Hillary Clinton aceitam depor em investigação sobre Epstein no Congresso

Ex-presidente e ex-secretária de Estado cedem após ameaça de processo por desacato; decisão evita votação na Câmara e ocorre em meio a novas divulgações de arquivos
Por: Brado Jornal 02.fev.2026 às 22h02
Bill e Hillary Clinton aceitam depor em investigação sobre Epstein no Congresso
GETTY IMAGES NORTH AMERICA/AFP
O ex-presidente Bill Clinton e a ex-secretária de Estado Hillary Clinton concordaram em prestar depoimento ao Comitê de Supervisão da Câmara dos Representantes, que investiga as conexões do falecido financista Jeffrey Epstein com figuras influentes.

A confirmação veio por meio de um e-mail enviado pelos advogados do casal ao presidente do comitê, deputado republicano James Comer, solicitando o cancelamento da votação marcada para esta semana que poderia declará-los em desacato ao Congresso, infração que pode resultar em multa ou até um ano de prisão.

O porta-voz adjunto de Bill Clinton, Angel Ureña, anunciou a disposição do casal em comparecer, destacando que eles negociaram de boa-fé e pretendem responder sob juramento o que sabem sobre o caso. Ele criticou Comer por supostamente não se importar com as respostas e afirmou que a presença dos Clintons estabelece um precedente de cooperação para todos.

A virada ocorre após meses de resistência: em janeiro de 2026, o casal recusou intimações para depoimentos fechados, enviando carta acusando Comer de perseguição política e uso raro do mecanismo de desacato para forçar prisão. Eles alegaram que as convocações eram inválidas e que já haviam fornecido as poucas informações disponíveis, negando qualquer conhecimento dos crimes de Epstein.

O The New York Times interpretou a aceitação como uma vitória para o republicano, que desviou o foco da investigação de Donald Trump, alvo de acusações recentes em arquivos divulgados. Em 2 de fevereiro de 2026, o governo liberou mais de 3 milhões de páginas relacionadas ao caso, incluindo comunicações antigas e imagens antigas de Clinton com Epstein (de mais de 20 anos, em contextos como avião, jantar e hidromassagem, algumas com rostos borrados).

Bill Clinton rompeu laços com Epstein antes das condenações por crimes sexuais, segundo seu porta-voz, que reiterou: “Isso não é sobre Bill Clinton” e que fotos antigas não provam nada. Nenhum sobrevivente acusou o ex-presidente de irregularidades.

O depoimento ainda não tem data confirmada, mas a negociação evitou o avanço do processo por desacato, em um contexto de polarização política e liberação contínua de documentos sobre a rede de Epstein.


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