As delegações dos Estados Unidos e do Irã realizaram nesta quinta-feira (26), em Genebra, na Suíça, a terceira rodada de negociações indiretas sobre o programa nuclear iraniano. O encontro, mediado por Omã, começou por volta das 6h15 (horário de Brasília) e foi suspenso após aproximadamente três horas, com previsão de retomada ainda no mesmo dia.
O ministro das Relações Exteriores de Omã, Badr Albusaidi, confirmou a pausa e destacou o tom positivo das discussões iniciais. "Estivemos trocando ideias criativas e positivas em Genebra hoje, e agora tanto os negociadores dos EUA quanto os do Irã suspenderam as conversas para um intervalo. Retomaremos mais tarde hoje. Esperamos avançar ainda mais", afirmou o ministro das Relações Exteriores de Omã, Badr Albusaidi.
Um comboio com os enviados americanos Steve Witkoff e Jared Kushner deixou o local por volta das 9h20 (horário de Brasília). Até o momento, nem Washington nem Teerã emitiram declarações oficiais sobre o andamento ou o resultado parcial desta etapa.
Essa rodada é considerada crucial, pois o presidente Donald Trump avalia a possibilidade de ação militar contra o Irã dependendo do progresso das conversas, conforme reportagens de veículos como The Guardian. Os EUA acumularam forças significativas no Oriente Médio, incluindo navios e aeronaves, para pressionar por um acordo que limite o enriquecimento de urânio iraniano, restrinja mísseis balísticos e reduza o apoio a grupos armados na região.
Antes do início, o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores iraniano, Esmail Baghaei, declarou que o país negociaria "com seriedade e flexibilidade", limitando-se ao nuclear e à remoção de sanções. Albusaidi observou que “os negociadores demonstraram uma abertura sem precedentes a ideias e soluções novas e criativas”.
O diretor-geral da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), Rafael Grossi, também participou do contexto das discussões, segundo a AFP.
O presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, expressou otimismo recente, afirmando buscar um acordo justo "o mais rápido possível" e reiterando que o líder supremo Ali Khamenei proíbe armas de destruição em massa, o que exclui o desenvolvimento de armas nucleares. Do lado americano, o secretário de Estado Marco Rubio alertou na véspera que o Irã enfrentaria “um grande problema” caso resistisse a discutir o alcance de seus mísseis balísticos.
As conversas, retomadas recentemente após anos de impasse, seguem pressões intensas do governo Trump, que ameaça atacar caso não haja acordo. O Irã insiste que seu programa nuclear é pacífico, destinado à energia, e está disposto a reduzir o enriquecimento em troca do fim das sanções. A rodada anterior, em 17 de fevereiro também em Genebra, registrou "certo avanço" segundo a Casa Branca e progresso pela visão iraniana.
Em paralelo, o Irã enfrenta protestos internos recentes, com advertências oficiais para que não ultrapassem limites, em meio a tensões domésticas que incluem repressão anterior.
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