O governo dos Estados Unidos anunciou na madrugada desta quarta-feira (3) uma nova rodada de tarifas comerciais contra o Brasil e outros 59 países, incluindo a União Europeia. A medida é motivada pela alegada insuficiência no combate ao trabalho forçado nas cadeias de produção.
A proposta, elaborada pela USTR (Representante Comercial dos Estados Unidos), prevê alíquotas entre 10% e 12,5% sobre os produtos importados. O Brasil deve enfrentar a taxa mais elevada, de 12,5%, enquanto parceiros mais próximos como Canadá, México, Reino Unido e União Europeia teriam sobretaxa de 10%.
A iniciativa utiliza novamente a Seção 301 da Lei de Comércio de 1974, instrumento que permite a Washington investigar e punir práticas comerciais consideradas injustas ou prejudiciais aos interesses americanos. Segundo o órgão, os países investigados não adotaram ações suficientes para impedir a entrada de mercadorias produzidas com mão de obra forçada nem reforçaram os mecanismos de fiscalização.
Em nota oficial, a USTR argumentou que a falta de medidas efetivas gera distorções competitivas, reduzindo custos no exterior e prejudicando fabricantes norte-americanos. A conduta foi classificada como violação ao princípio da razoabilidade e como algo que impõe ônus ao comércio dos EUA.
A nova tarifa surge poucos dias após o anúncio de sobretaxa de 25% sobre uma extensa lista de produtos brasileiros, baseada em outras alegações comerciais. A medida ainda depende de consulta pública, com prazo para recebimento de comentários até 6 de julho. Uma audiência será realizada antes da implementação definitiva. Setores estratégicos como medicamentos, energia e minerais críticos podem ficar isentos.
A ação reforça a estratégia do presidente Donald Trump de usar ferramentas comerciais de forma agressiva para pressionar parceiros internacionais. Nos últimos meses, Washington tem aberto múltiplas frentes de investigação envolvendo diferentes economias e setores sensíveis para a indústria americana.
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