Defesa de Carla Zambelli pede troca de juízes em audiência de extradição na Itália

Advogados alegam parcialidade e solicitam inclusão de testemunha; corte adia decisão para fevereiro e concede prazo de três dias para formalização
Por: Brado Jornal 20.jan.2026 às 22h22
Defesa de Carla Zambelli pede troca de juízes em audiência de extradição na Itália
Imagem: Pedro Ladeira/Folhapress
A ex-deputada federal Carla Zambelli (PL-SP), condenada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) a mais de 15 anos de prisão em dois processos, compareceu nesta terça-feira (20) a uma nova audiência na Corte de Apelação de Roma, na Itália, onde é analisado o pedido de extradição apresentado pelo governo brasileiro. Durante a sessão, a defesa da ex-parlamentar solicitou a substituição dos três juízes responsáveis pelo caso, alegando parcialidade e pressa em aprovar a extradição. A corte concedeu um prazo de três dias para que os advogados formalizem a arguição de suspeição, adiando a análise do pedido para a primeira quinzena de fevereiro.

O advogado Fábio Pagnozzi, que representa Zambelli no Brasil, descreveu a audiência como "muito difícil e dura" em vídeo divulgado nas redes sociais. Segundo ele, os magistrados negaram inicialmente o pedido de troca por três vezes, mas a defesa insistiu, citando violações às regras de Mandela, tratados internacionais penais e direitos humanos. Pagnozzi argumentou que faltam documentos probatórios que comprovem a participação de Zambelli na invasão ao sistema do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), e que nem o relator Diego Garcia na Câmara dos Deputados teve acesso integral ao "relatório 38" da Polícia Federal. "Não existe uma comprovação direta que ligue Carla Zambelli ao pedido de invasões do CNJ", afirmou o advogado, defendendo que a ex-deputada é vítima de perseguição política.

Além da troca de juízes, a defesa solicitou a inclusão da testemunha Eduardo Tagliaferro, descrito como figura fundamental por ter exposto, desde 2022, um suposto "gabinete paralelo" que perseguia parlamentares de direita, especialmente Zambelli. Tagliaferro seria ouvido para demonstrar violações a tratados internacionais que impedem a extradição de perseguidos políticos. Pagnozzi expressou confiança: "Vamos conseguir dentro de três dias a troca dessa turma. Liberdade para Carla".

Zambelli deixou o Brasil em junho de 2025, após sua primeira condenação pelo STF a dez anos de prisão por invasão ao CNJ. Em julho, foi presa em Roma e, desde então, responde ao processo em prisão domiciliar com tornozeleira eletrônica. Em outubro de 2025, o Ministério Público italiano manifestou-se favorável à extradição. Esta é a quarta postergação do julgamento: em dezembro, a corte já havia adiado para analisar documentos sobre as condições da Penitenciária Feminina do Distrito Federal, onde Zambelli cumpriria pena. A corte marcou uma audiência extraordinária dedicada exclusivamente ao caso, sem data definida.

O caso divide opiniões no Brasil. Apoiadores bolsonaristas, como o deputado Nikolas Ferreira (PL-MG), veem a perseguição como extensão do "ativismo judicial" contra a direita, ecoando na "Caminhada pela Justiça" em curso. Críticos, incluindo setores da esquerda, defendem a extradição para que Zambelli responda por crimes como dano ao patrimônio público e tentativa de abolição do Estado Democrático de Direito, relacionados aos atos de 8 de janeiro de 2023. Nas redes sociais, o vídeo de Pagnozzi viralizou, com comentários como "Troca de juízes por parcialidade é instrumento legítimo" e apelos por "justiça para Zambelli".

A Justiça italiana ainda não se pronunciou oficialmente sobre a suspeição, mas o adiamento reforça as tensões no processo. Se extraditada, Zambelli cumpriria pena na Colmeia, em Brasília. O Ministério das Relações Exteriores brasileiro acompanha o caso, mas não comentou a audiência de hoje. O desfecho pode impactar outros bolsonaristas foragidos e o debate sobre impunidade no Brasil.


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