Uma equipe composta por três médicos legistas da Polícia Federal examinou Jair Bolsonaro na semana anterior no 19º Batalhão da Polícia Militar, apelidado de “Papudinha”, situado no complexo da Papuda. O procedimento, que se estendeu por cerca de duas horas, incluiu análise do estado clínico do ex-presidente e perguntas sobre sua condição física, visando elaborar um laudo médico ainda em fase de conclusão.
Esse documento representa uma expectativa renovada para aliados de Bolsonaro na busca pela conversão da pena em prisão domiciliar.
Ao determinar a transferência do ex-presidente para a Papudinha em 15 de janeiro, o ministro Alexandre de Moraes ordenou avaliação imediata por junta médica da PF para verificar o quadro de saúde e as demandas para o cumprimento da sentença.
A unidade garante assistência médica contínua, em plantão 24 horas, conforme exigido. Embora integrada ao perímetro da Papuda, a Papudinha responde diretamente à Polícia Militar, e não à Secretaria de Administração Penitenciária do Distrito Federal.
Nos corredores do Supremo Tribunal Federal (STF) e entre círculos bolsonaristas, assim como em esferas do governo distrital, paira o receio de um episódio trágico semelhante ao de Cleriston Pereira da Cunha, detido preventivamente na Papuda por envolvimento nos eventos golpistas de 8 de janeiro de 2023, e que faleceu subitamente durante banho de sol em novembro daquele ano. O caso foi utilizado por apoiadores de Bolsonaro para criticar supostos abusos de Moraes.
Um aliado próximo do ex-presidente, em conversa reservada, comentou ao blog: “Se o Bolsonaro morrer na cadeia, o Supremo fica mais no sal ainda”, aludindo ao prejuízo adicional à reputação da Corte, agravado por controvérsias recentes como as decisões de Dias Toffoli no escândalo do Banco Master.
A movimentação para alterar o regime prisional de Bolsonaro, condenado a 27 anos e três meses por orquestrar uma tentativa de golpe de Estado, não se restringe a Michelle Bolsonaro e ao governador paulista Tarcísio de Freitas.
Ela recebe endosso discreto de membros do STF. O ministro Gilmar Mendes auxiliou na marcação de audiência entre Michelle e Moraes no dia 15, e em diálogos privados defende a prisão domiciliar em virtude dos problemas de saúde do ex-mandatário, ressaltando sempre que a palavra final cabe a Moraes, com quem mantém proximidade.
Da mesma forma, o ministro Kassio Nunes Marques, nomeado por Bolsonaro, comunicou a Moraes seu suporte à medida. Tanto Gilmar quanto Nunes Marques integram a Segunda Turma do STF, não tendo participado do julgamento na Primeira Turma que resultou na condenação.
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