MPRJ reabre investigação contra Carlos Bolsonaro por suspeita de rachadinha

Procuradoria-Geral de Justiça considera arquivamento de 2024 prematuro e determina novas diligências para apurar desvios de R$ 1,9 milhão no gabinete do ex-vereador; foco em movimentações financeiras suspeitas e funcionários fantasmas.
Por: Carol Barbalho 25.fev.2026 às 16h13
MPRJ reabre investigação contra Carlos Bolsonaro por suspeita de rachadinha
Foto: Luciola Villela/CMRJ
O Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ) decidiu retomar as apurações contra o ex-vereador Carlos Bolsonaro (PL) e mais 25 pessoas envolvidas em suspeitas de esquema de “rachadinha” durante seu mandato na Câmara Municipal do Rio, entre 2005 e 2021.

A Procuradoria-Geral de Justiça (PGJ) considerou prematuro o arquivamento do caso realizado em setembro de 2024 e determinou, em 9 de fevereiro de 2026, o envio dos autos à 4ª Promotoria de Justiça de Investigação Penal Especializada do Núcleo Rio de Janeiro para realização de novas diligências complementares. A decisão foi baseada em parecer da Assessoria Criminal da PGJ, que identificou omissões e contradições na investigação anterior, como a falta de análise aprofundada de movimentações financeiras.

Entre os pontos que motivaram a reabertura estão a aquisição de um apartamento em Copacabana por R$ 70 mil em 2009 (valor considerado abaixo do mercado), pagamentos irregulares de plano de saúde (apenas um boleto quitado por conta bancária em nove anos) e acessos frequentes a cofre bancário (pelo menos um por mês), o que chamou atenção por ser incomum para guardar joias ou documentos. A suspeita envolve desvio de cerca de R$ 1,9 milhão por meio de devolução de salários por assessores fantasmas.

A defesa de Ana Cristina Siqueira Valle (ex-mulher de Jair Bolsonaro e ex-chefe de gabinete de Carlos entre 2001 e 2008) repudiou a medida, alegando nulidades processuais, fishing expedition e prescrição dos fatos, afirmando confiança nas instituições. A defesa de Carlos Bolsonaro não se manifestou até o momento. Já Jorge Luiz Fernandes (ex-chefe de gabinete e apontado como líder do esquema) e Alana Passos (atual vereadora que herdou o gabinete) optaram por não comentar.

O caso começou em 2019, teve denúncia contra sete funcionários por peculato em 2024 e foi arquivado quanto a Carlos por ausência de indícios diretos de circulação de valores para sua conta, segundo o promotor Alexandre Murilo Graça. Um juiz discordou do arquivamento em 2025, o que levou à revisão e à atual retomada.


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