Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master, terá sua prisão preventiva julgada pela Segunda Turma do Supremo Tribunal Federal na próxima sexta-feira. A decisão visa referendar ou não a ordem expedida pelo ministro André Mendonça, relator do caso, que determinou a detenção do banqueiro na última quarta-feira.
Vorcaro foi preso pela Polícia Federal em São Paulo durante a terceira fase da Operação Compliance Zero, que apura crimes como fraude financeira, lavagem de dinheiro, corrupção, ameaça e invasão de dispositivos informáticos. A operação cumpriu quatro mandados de prisão preventiva e 15 de busca e apreensão, além de determinar o afastamento de cargos públicos e o bloqueio de bens no valor de até R$ 22 bilhões.
A prisão ocorreu quando Vorcaro tentava embarcar em um jatinho particular com destino aos Emirados Árabes Unidos. Inicialmente levado à superintendência da PF em São Paulo, ele foi transferido para um centro de detenção provisória em Guarulhos, depois para a Penitenciária Estadual de Potim, no interior paulista, e finalmente para a Penitenciária Federal de Brasília, uma unidade de segurança máxima localizada próxima ao complexo da Papuda.
No presídio federal, Vorcaro iniciou sua detenção em uma cela de isolamento de nove metros quadrados por 20 dias, conforme o regime inicial para novos detentos. Após esse período, ele será transferido para uma cela padrão, com rotina de 22 horas diárias confinado e duas horas de banho de sol. Ele recebeu um enxoval com roupas, calçados, itens de cama, banho e higiene pessoal.
A nova detenção foi motivada por indícios revelados em perícia de um celular de Vorcaro, que apontam para a existência de uma organização criminosa dividida em núcleos: um financeiro, responsável por fraudes e contratos simulados; outro de corrupção institucional; um de ocultação patrimonial, com transferência de mais de R$ 2 bilhões para contas ligadas a familiares; e um voltado à intimidação, com ameaças a autoridades, jornalistas, funcionários e concorrentes.
Vorcaro havia sido preso pela primeira vez em novembro de 2025, na fase inicial da mesma operação, que levou à liquidação extrajudicial do Banco Master pelo Banco Central devido a irregularidades como gestão fraudulenta e emissão de títulos com remuneração acima da média de mercado, direcionados a investimentos de alto risco. Ele foi solto em menos de duas semanas, com uso de tornozeleira eletrônica e outras medidas cautelares.
Interlocutores próximos indicam que Vorcaro considera a possibilidade de uma delação premiada, especialmente após a prisão atual. A defesa do banqueiro entrou com pedido para que o primeiro encontro com advogados no presídio não seja gravado, o que ainda depende de decisão de Mendonça.
A investigação também revela indícios de rede de influência em instituições como o Banco Central, o Judiciário e poderes Executivo e Legislativo, além de monitoramento por agências internacionais como FBI e Interpol antes da prisão no Brasil.
O julgamento pela Segunda Turma do STF ocorrerá para avaliar a manutenção da prisão preventiva, diante dos riscos de obstrução das investigações e interferência em apurações.
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