Lideranças indígenas do Baixo Tapajós ligadas ao PSOL protocolam representação no MPF contra Renan Santos

Pré-candidato à Presidência pelo partido Missão é acusado de "racismo e disseminação de desinformação" após declarações feitas em Santarém (PA)
Por: Carol Barbalho 22.jun.2026 às 09h30
Lideranças indígenas do Baixo Tapajós ligadas ao PSOL protocolam representação no MPF contra Renan Santos
Imagem: Nay Jinknss / WWF-Brasil
Lideranças indígenas da região do Baixo Tapajós, no oeste do Pará, protocolaram uma representação no Ministério Público Federal contra Renan Santos, presidente do partido Missão e pré-candidato à Presidência da República. A iniciativa acusa o político de racismo e disseminação de desinformação em razão de declarações feitas durante sua passagem pela cidade de Santarém.

As falas foram divulgadas em vídeo gravado por Renan Santos em Santarém. Nele, o pré-candidato critica o que classifica como “sabotagem gigantesca” ao desenvolvimento da região, apontando a ocupação de instalações da empresa Cargill por indígenas. Ele associa a ação a impedimentos ao funcionamento de um entreposto logístico que conecta o Centro-Oeste e o Norte do país. Renan Santos também questiona a legitimidade de grupos indígenas na área, referindo-se a uma “suposta tribo indígena” que teria desaparecido no século XVIII e “agora reapareceu”, descrevendo as situações como “coisas malucas” que impedem a população local de “ganhar dinheiro”.

A representação foi protocolada por lideranças indígenas do Baixo Tapajós, entre elas Auricélia Arapiun, com apoio do PSOL de Santarém, do Movimento Tapajós Vivo e do Projeto Saúde e Alegria. O documento pede a apuração dos fatos, a remoção de conteúdo considerado ilícito das redes sociais e a responsabilização dos envolvidos, nos termos da legislação brasileira.

As declarações ocorreram em meio a mobilizações de comunidades indígenas da região contra projetos de infraestrutura, incluindo a hidrovia do Tapajós e um decreto federal que trata da privatização de rios amazônicos. Uma das ações citadas é a ocupação de 33 dias do terminal da Cargill em Santarém.

Além das críticas dirigidas aos povos originários, Renan Santos também fez declarações sobre bairros de Belém, retratando-os de forma generalizada como cenários de extrema precarização social.

A passagem do pré-candidato pelo Pará gerou reações de indignação entre lideranças políticas e educacionais do estado. A representação ao Ministério Público Federal foi protocolada nos dias seguintes à divulgação do vídeo, em junho de 2026.


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