Execução de manifestante marcada para quarta no Irã

Hengaw alerta para pena de morte contra jovem preso em protestos de Karaj
Por: Brado Redação 13.jan.2026 às 15h31
Execução de manifestante marcada para quarta no Irã
Reprodução

Uma organização de direitos humanos curda, a Hengaw, anunciou que as autoridades iranianas pretendem executar nesta quarta-feira (14) o jovem Erfan Soltani, de 26 anos. Segundo o grupo, Soltani foi detido por participação nos protestos que ocorreram na cidade de Karaj e enfrenta sentença de morte considerada definitiva.

A informação partiu de uma fonte próxima à família do condenado, que teria sido informada diretamente pelas autoridades. A Hengaw expressou grave preocupação com a rapidez e a falta de transparência no processo, classificando a aplicação da pena capital como uma ferramenta de repressão aos movimentos populares de contestação.

A agência Reuters destacou que não conseguiu verificar de forma independente a veracidade da denúncia. Até o momento, nenhum veículo de imprensa estatal iraniana mencionou a existência de tal sentença.

Os atos de protesto contra o governo iraniano ganharam força no final de dezembro, configurando o maior desafio interno ao regime em anos recentes. Inicialmente concentradas nos bazares de Teerã, as manifestações surgiram em reação à inflação galopante, que provocou aumentos abruptos nos preços de itens essenciais, como óleo de cozinha e frango, com alguns produtos sumindo das prateleiras de uma hora para outra.

A crise econômica se agravou após o banco central suspender um mecanismo que permitia a certos importadores comprar dólares a taxas subsidiadas, bem abaixo do valor de mercado. A medida levou comerciantes a elevar preços ou fechar estabelecimentos, desencadeando uma reação em cadeia que se espalhou rapidamente pelo país e evoluiu para críticas mais amplas ao sistema político.

Os comerciantes dos bazares, historicamente próximos à República Islâmica, adotaram posição de confronto ao paralisar atividades, algo considerado extremo para o segmento. O governo, sob comando reformista, tentou amenizar a tensão com repasses diretos de cerca de US$ 7 mensais às famílias, mas a iniciativa não conteve o descontentamento generalizado.

Na quinta-feira (8), considerada a noite de maior mobilização nacional até então, as autoridades bloquearam o acesso à internet e interromperam linhas telefônicas, isolando quase completamente o Irã do restante do mundo.

Relatos de organizações internacionais de direitos humanos apontam para centenas de mortes causadas pela repressão desde o início das manifestações.

No cenário internacional, o presidente americano Donald Trump advertiu que os Estados Unidos poderiam responder com ataques caso as forças de segurança iranianas intensifiquem a violência contra manifestantes. Em resposta, o líder supremo do Irã, aiatolá Ali Khamenei, recomendou que Trump se ocupasse dos assuntos internos de seu país e acusou Washington de estimular os protestos no território iraniano.



📲 Baixe agora o aplicativo oficial da BRADO
e receba os principais destaques do dia em primeira mão
O que estão dizendo

Deixe sua opinião!

Assine agora e comente nesta matéria com benefícos exclusivos.

Sem comentários

Seja o primeiro a comentar nesta matéria!

Carregar mais
Carregando...

Carregando...

Veja Também
Ministro do Esporte do Irã descarta participação na Copa do Mundo de 2026
Ahmad Donyamali cita morte de Ali Khamenei em ataques dos EUA e Israel como motivo; conflito impede condições de segurança e torna presença “impossível” em torneio coanfitriado pelos americanos
Carregando..