Uma organização de direitos humanos curda, a Hengaw, anunciou que as autoridades iranianas pretendem executar nesta quarta-feira (14) o jovem Erfan Soltani, de 26 anos. Segundo o grupo, Soltani foi detido por participação nos protestos que ocorreram na cidade de Karaj e enfrenta sentença de morte considerada definitiva.
A informação partiu de uma fonte próxima à família do condenado, que teria sido informada diretamente pelas autoridades. A Hengaw expressou grave preocupação com a rapidez e a falta de transparência no processo, classificando a aplicação da pena capital como uma ferramenta de repressão aos movimentos populares de contestação.
A agência Reuters destacou que não conseguiu verificar de forma independente a veracidade da denúncia. Até o momento, nenhum veículo de imprensa estatal iraniana mencionou a existência de tal sentença.
Os atos de protesto contra o governo iraniano ganharam força no final de dezembro, configurando o maior desafio interno ao regime em anos recentes. Inicialmente concentradas nos bazares de Teerã, as manifestações surgiram em reação à inflação galopante, que provocou aumentos abruptos nos preços de itens essenciais, como óleo de cozinha e frango, com alguns produtos sumindo das prateleiras de uma hora para outra.
A crise econômica se agravou após o banco central suspender um mecanismo que permitia a certos importadores comprar dólares a taxas subsidiadas, bem abaixo do valor de mercado. A medida levou comerciantes a elevar preços ou fechar estabelecimentos, desencadeando uma reação em cadeia que se espalhou rapidamente pelo país e evoluiu para críticas mais amplas ao sistema político.
Os comerciantes dos bazares, historicamente próximos à República Islâmica, adotaram posição de confronto ao paralisar atividades, algo considerado extremo para o segmento. O governo, sob comando reformista, tentou amenizar a tensão com repasses diretos de cerca de US$ 7 mensais às famílias, mas a iniciativa não conteve o descontentamento generalizado.
Na quinta-feira (8), considerada a noite de maior mobilização nacional até então, as autoridades bloquearam o acesso à internet e interromperam linhas telefônicas, isolando quase completamente o Irã do restante do mundo.
Relatos de organizações internacionais de direitos humanos apontam para centenas de mortes causadas pela repressão desde o início das manifestações.
No cenário internacional, o presidente americano Donald Trump advertiu que os Estados Unidos poderiam responder com ataques caso as forças de segurança iranianas intensifiquem a violência contra manifestantes. Em resposta, o líder supremo do Irã, aiatolá Ali Khamenei, recomendou que Trump se ocupasse dos assuntos internos de seu país e acusou Washington de estimular os protestos no território iraniano.
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