Operação militar mata El Mencho e desencadeia onda de violência no México

Líder do Cartel Jalisco Nova Geração morre em confronto no estado de Jalisco; represálias do grupo deixam mais de 70 mortos, bloqueios de estradas e ataques em vários estados.
Por: Brado Jornal 24.fev.2026 às 10h18
Operação militar mata El Mencho e desencadeia onda de violência no México
Reprodução/Reuters
Nemesio Oseguera Cervantes, o El Mencho, chefe do poderoso Cartel Jalisco Nova Geração (CJNG), considerado um dos maiores fornecedores de fentanil aos Estados Unidos e uma das figuras mais temidas do narcotráfico mexicano, foi morto durante uma operação das forças armadas mexicanas no domingo (22), em Tapalpa, no estado de Jalisco.

A ação teve início após inteligência mexicana interceptar informações via uma pessoa próxima à namorada do criminoso, que revelou o esconderijo. Com apoio de uma força-tarefa de inteligência dos EUA, o Exército mobilizou tropas especiais, Guarda Nacional, aeronaves e seis helicópteros. No sábado (21), o planejamento foi finalizado após confirmação da presença de El Mencho, protegido por seguranças armados.

Antes do amanhecer de domingo, as forças cercaram a área, iniciando confronto com homens do cartel. Oito suspeitos foram mortos no primeiro embate. El Mencho e aliados tentaram fugir para cabanas na mata próxima, onde ocorreu novo tiroteio. Ferido, ele foi encontrado com dois seguranças, levado de helicóptero rumo a hospital, inicialmente previsto para Guadalajara, mas desviado devido à escalada de violência, e morreu durante o transporte. O corpo foi levado por avião militar à Cidade do México.

A morte provocou retaliações imediatas do CJNG: o sucessor interino, conhecido como El Tuli, ordenou bloqueios em rodovias, incêndios de veículos, ataques a prédios públicos e emboscadas contra agentes de segurança. O cartel chegou a oferecer recompensa de 20 mil pesos (cerca de R$ 6 mil) por cada militar morto. Os confrontos resultaram em mais de 70 óbitos, incluindo cerca de 25 membros da Guarda Nacional, dezenas de suspeitos do cartel e pelo menos um civil, além de pelo menos 70 prisões em sete estados. A violência afetou cerca de 20 estados, com cancelamento de voos (como para Puerto Vallarta), suspensão de aulas e desvios de tráfego.

O governo mexicano enviou reforços, incluindo 2 mil soldados adicionais para Jalisco, e a presidente Claudia Sheinbaum informou que a situação começava a se normalizar na segunda e terça-feira (23 e 24). O ministro da Segurança, Omar García Harfuch, monitora possíveis sucessores e riscos de novos ataques. Nos EUA, o ex-presidente Donald Trump comentou que o México precisa intensificar ações contra cartéis e o fluxo de drogas. 


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