O papa Leão XIV declarou que as ameaças feitas pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, contra o Irã são “inaceitáveis”. A declaração ocorreu durante uma coletiva de imprensa, ao deixar a residência de Castel Gandolfo rumo ao Vaticano.
O pontífice afirmou: “A ameaça contra o povo do Irã é inaceitável. Há questões de direito internacional, mas muito mais do que isso, é uma questão moral”. Ele conclamou cidadãos de todo o mundo a contatarem seus representantes políticos para exigir o fim do conflito na região.
As declarações do papa surgiram horas após Trump publicar em suas redes sociais que “uma civilização inteira morrerá esta noite”, em referência ao Irã. Trump também mencionou o fim de um prazo para a abertura do Estreito de Ormuz.
Ao final do dia, os Estados Unidos anunciaram um recuo após negociações mediadas por autoridades do Paquistão. Trump publicou que haveria duas semanas de cessar-fogo e que poderia haver uma paz definitiva.
O Irã apresentou dez exigências consideradas viáveis pelos EUA, entre elas: garantia de não novos ataques, manutenção do controle iraniano sobre o Estreito de Ormuz, reconhecimento do direito ao enriquecimento de urânio, suspensão de todas as sanções, encerramento de resoluções do Conselho de Segurança da ONU e da Agência Internacional de Energia Atômica, pagamento de compensações, retirada de forças americanas da região, fim de ações militares contra grupos aliados do Irã no Líbano, liberação de ativos bloqueados e aprovação dos pontos em resolução vinculante da ONU.
O conflito atual teve escalada após ataque massivo dos EUA e Israel contra o Irã, no final do mês passado, que resultou na morte do líder supremo iraniano. Desde então, a região registra trocas de mísseis e bombardeios entre o Irã e forças ocidentais.
Em paralelo, uma reunião entre o cardeal Christophe Pierre, núncio apostólico nos Estados Unidos, e representantes do Pentágono foi descrita como uma “palestra amarga”. Durante o encontro, um oficial do governo americano fez referência ao Papado de Avinhão, período do século XIV em que a coroa francesa utilizou poder militar para influenciar o papado, o que foi interpretado como um aviso implícito à Igreja Católica.
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