Petro rejeita pré-contagem da eleição colombiana

Presidente colombiano diz que só aceitará resultado oficial do 2º turno e questiona contagem preliminar da empresa privada.
Por: Brado Jornal 01.jun.2026 às 10h04
Petro rejeita pré-contagem da eleição colombiana
Reprodução/Instagram
O presidente da Colômbia, Gustavo Petro, afirmou que não reconhece os resultados da pré-contagem do primeiro turno das eleições presidenciais realizadas no domingo (31). Em publicação nas redes sociais, ele declarou que somente aceitará os números definitivos das comissões escrutinadoras, compostas por juízes.

Segundo Petro, a contagem preliminar divulgada por uma empresa privada dos irmãos Bautista não tem validade legal e apresenta inconsistências graves. Ele citou a existência de dois censos eleitorais diferentes e alegou que o software da empresa acrescentou cerca de 800 mil eleitores que não constam no registro oficial. Além disso, o presidente mencionou que o sistema sofreu alterações nos dias anteriores ao pleito.

“Como presidente, não aceito os resultados da pré-contagem da empresa privada dos irmãos Bautista”, escreveu Petro. Ele reforçou que os algoritmos deveriam estar parados na última semana, mas foram modificados três vezes, gerando irregularidades.

Com 99,94% das urnas apuradas, o candidato de direita Abelardo de la Espriella liderou com 43,73% dos votos, seguido pelo senador de esquerda Iván Cepeda, apoiado por Petro, com 40,91%. Paloma Valencia, também da direita, ficou em terceiro lugar, com 6,92%. O segundo turno está marcado para 21 de junho.

Na Colômbia, a pré-contagem feita na noite da eleição não tem efeito jurídico. O resultado oficial só é definido após o escrutínio das comissões formadas por juízes, notários e servidores públicos, que revisam possíveis fraudes mesa a mesa.

Petro destacou que, conforme a lei, apenas os dados dessas comissões terão força vinculante. Iván Cepeda também pediu esclarecimentos sobre supostas “votações atípicas” em algumas mesas.Reação da oposiçãoAbelardo de la Espriella rebateu as críticas de Petro em discurso em Barranquilla. Ele afirmou que o presidente não pode desconhecer os números preliminares e alertou para possíveis reações da população. “Defenderemos a democracia pela razão ou pela força”, declarou.

A direita colombiana já começa a se unir em torno de La Espriella. Paloma Valencia anunciou apoio pessoal ao candidato, e o ex-presidente Álvaro Uribe confirmou que votará nele no segundo turno.

O cenário para a etapa final mostra um país dividido. Sergio Fajardo, que terminou em quarto lugar, ainda analisa qual posição seu grupo adotará. A disputa opõe o campo progressista, representado por Cepeda, e a direita, que busca unificar forças para vencer o governo atual.

O posicionamento de Petro reacende o debate sobre a confiabilidade do sistema eleitoral colombiano e aumenta a tensão antes do segundo turno.


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