Um parasita microscópico responsável por diarreia intensa contaminou mais de 2.800 pessoas nos Estados Unidos e transformou-se em um dos maiores surtos recentes da doença no país. As autoridades apontam alface e outras folhas verdes consumidas cruas como a principal suspeita da contaminação, embora as investigações ainda não tenham identificado um produtor ou lote específico.
A infecção, conhecida como ciclosporíase, é provocada pelo protozoário Cyclospora cayetanensis, que ataca o intestino após a ingestão de alimentos ou água contaminados. O sintoma mais marcante é a diarreia aquosa forte, que pode se tornar frequente e violenta — descrita pelas autoridades como “explosiva”. Outros problemas comuns são cólicas abdominais, náuseas, perda de apetite, fadiga e emagrecimento. Sem tratamento, os sintomas podem persistir por semanas ou meses, com períodos alternados de melhora e piora.
Michigan registra a maior parte dos casos, com cerca de 2.640 infecções, além de 177 em Ohio. No total, os Centros de Controle e Prevenção de Doenças (CDC) confirmaram ao menos 843 casos e investigam cerca de 1.500 suspeitos distribuídos por 31 estados. Oitenta e seis pessoas precisaram de hospitalização, mas nenhuma morte foi registrada. O episódio já é considerado o maior surto de ciclosporíase da história de Michigan.
Resultados preliminares divulgados na segunda-feira reforçam a ligação com folhas verdes usadas em saladas, mas os investigadores alertam que ainda é cedo para descartar outras hortaliças. O longo período de incubação — cerca de duas semanas — e a dificuldade de cultivar o parasita em laboratório tornam o rastreamento complexo. Muitas vezes o ingrediente contaminado faz parte de pratos mistos e um único lote pode atingir diversos supermercados e restaurantes ao mesmo tempo.
A ciclosporíase tem aumentado nos Estados Unidos na última década, impulsionada por melhores testes diagnósticos e mudanças climáticas. Surtos anteriores foram ligados a manjericão, framboesas e outras hortaliças frescas.
Enquanto as apurações prosseguem, as autoridades recomendam lavar cuidadosamente folhas verdes, ervas e framboesas, e cozinhá-las sempre que possível. No caso da alface, sugerem comprar o pé inteiro, descartar as folhas externas e higienizar bem as demais em água corrente. A lavagem reduz o risco, mas não o elimina completamente, pois o parasita pode aderir à superfície dos alimentos. Pessoas com diarreia persistente por vários dias devem procurar atendimento médico. O tratamento é feito com antibióticos e a doença raramente é fatal. As investigações continuam para determinar a origem exata e evitar novos casos.
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