Em evento promovido pela Associação Brasileira de Bancos (ABBC) nesta segunda-feira (9 de fevereiro de 2026), o presidente do Banco Central, Gabriel Galipolo, detalhou a cronologia das suspeitas sobre a carteira de crédito do Banco Master. Segundo ele, o BC detectou indícios de irregularidades desde janeiro de 2025, motivados pela formação de novas carteiras em meio a dificuldades de liquidez da instituição. Em fevereiro, foi criado um grupo dedicado a diligências específicas, e em março um relatório interno concluiu pela ausência de evidências concretas sobre a existência desses créditos, especialmente os originados pela Tirreno Consultoria Promotoria de Crédito e Participações S.A.
Galipolo destacou que o diretor de Fiscalização, Ailton de Aquino, discutiu em março a possibilidade de investigação por eventuais crimes e a necessidade de noticiar fatos ao Ministério Público Federal (MPF) e à Polícia Federal (PF). Ele elogiou a atuação do ex-diretor Renato Gomes, que identificou a fraude, comunicou às autoridades competentes e votou pela liquidação do Master em novembro de 2025, dez meses após o início das suspeitas. O BC formalizou alerta ao MPF em julho de 2025.
Essa narrativa contrasta com o que Ailton de Aquino declarou em depoimento à PF no Supremo Tribunal Federal (STF), prestado em 30 de dezembro de 2025. Segundo o diretor, o BC só obteve “certeza” das fraudes em reunião realizada em 27 de junho de 2025, na sede da autarquia em Brasília, com representantes da Tirreno e da Cartos Sociedade de Crédito Direto S.A., ambas sob investigação por supostamente originar créditos falsos repassados ao Master e ao BRB. Antes disso, Aquino afirmou não ter encontrado “nenhuma informação” sobre os créditos da Tirreno no Sistema de Informações de Crédito (SCR), e que a identificação ocorreu graças à inserção desses ativos no sistema pelo BRB após o anúncio da compra, em 28 de março de 2025.
O presidente do BC explicou que o Master alegou ter captado R$ 6,695 bilhões junto à Tirreno, conforme comunicado ao MPF. Ele defendeu a separação entre punição de indivíduos envolvidos em irregularidades e preservação da estabilidade das instituições financeiras, enfatizando que o foco do BC é investigar condutas pessoais sem comprometer o sistema como um todo.
No contexto da tentativa de venda ao BRB, Galipolo mencionou que em julho de 2025 as partes ainda delimitavam o perímetro da operação, com análises alteradas por falta de documentação completa. Ele negou que o processo tenha sido apressado, afirmando que seguiu critérios técnicos de viabilidade, sem julgar a conveniência para acionistas.
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