Investigações da Polícia Federal revelam que o senador Ciro Nogueira recebia pagamentos mensais regulares do ex-controlador do Banco Master, Daniel Vorcaro. Os valores, que variavam entre R$ 300 mil e R$ 500 mil por mês, eram enviados por meio de uma empresa da família Vorcaro para a CNLF Empreendimentos, veículo ligado ao parlamentar.
Diálogos interceptados mostram Felipe Vorcaro, operador financeiro, relatando dificuldades para manter o fluxo de recursos ao “parceiro”. Em uma troca de mensagens, Daniel Vorcaro cobra o atraso de dois repasses e questiona se o valor deve continuar em R$ 500 mil ou ser reduzido para R$ 300 mil.
A contrapartida, segundo a PF, era o uso do mandato de Ciro Nogueira para defender interesses do banco. Um exemplo é a emenda nº 11 à PEC 65/2023, apresentada em agosto de 2024, que propunha aumentar o limite de garantia do Fundo Garantidor de Crédito de R$ 250 mil para R$ 1 milhão. O texto da emenda foi elaborado pela assessoria do Banco Master e entregue diretamente ao senador. Após a protocolação, Vorcaro celebrou que a proposta saiu “exatamente como mandei”.
Outros projetos, como o PATEN e o SBCE, também receberam minutas preparadas pelo banco e foram levados ao Congresso pelo gabinete do senador. A Operação Compliance Zero, que ganhou nova fase nesta quinta-feira, investiga esse esquema de supostas vantagens indevidas.
Além dos repasses fixos, a PF identificou o pagamento de despesas pessoais. Durante viagem internacional com a namorada Flávia, o assessor Léo Serrano consultou Vorcaro sobre o pagamento de contas de restaurantes. O banqueiro autorizou o uso de seu cartão de crédito e orientou que fosse devolvido depois a “Sr. Barths”. O ministro André Mendonça, do STF, citou essa conversa ao autorizar buscas, destacando o custeio de hospedagens de luxo, como no Park Hyatt New York.
Outra operação suspeita envolve a aquisição, pela CNLF, gerida pelo irmão de Ciro, Raimundo Neto, de 30% da Green Investimentos S.A. por R$ 1 milhão. A Polícia Federal considera a transação parte do conjunto de benefícios recebidos pelo senador.
As apurações apontam que Ciro Nogueira atuava em favor do Banco Master em troca dos recursos e das vantagens. A defesa do senador ainda não se manifestou sobre os novos detalhes. O caso segue em andamento no Supremo Tribunal Federal, com monitoramento de envolvidos e foco na relação entre os pagamentos e as ações legislativas.
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