O Gaeco, do Ministério Público de São Paulo, junto com a Receita Federal, lançou nesta quinta-feira (28) mais uma etapa da Operação Carbono Oculto. A ação mira uma sofisticada estrutura de lavagem de dinheiro que atua principalmente no ramo de combustíveis, com participação de empresários, operadores do crime organizado e pessoas usadas como laranjas.
Foram cumpridos 55 mandados de busca e apreensão em São Paulo, Minas Gerais, Rio de Janeiro e Paraná. As investigações revelam que o grupo manteve as atividades mesmo depois das fases anteriores da operação, recriando empresas, contas e mecanismos financeiros para continuar movimentando grandes quantias.
De acordo com os promotores, o esquema usa adulteração de combustíveis, fraudes fiscais e uma rede integrada de postos de gasolina. O dinheiro circula por poucas contas centrais, facilitando a ocultação dos valores. O grupo também teria criado novas fintechs para funcionar como um “banco paralelo”, transferindo recursos entre distribuidoras, postos e fundos de investimento controlados por eles.
Outra frente apura o desvio de nafta petroquímica para misturar nos combustíveis vendidos na Grande São Paulo. Empresas fantasmas em vários estados simulavam compras legais do produto, que depois abastecia o mercado ilegal.
Os investigadores identificaram o uso intenso de laranjas, parentes, pessoas vulneráveis e até detentos, para registrar firmas e proteger os verdadeiros donos. Fundos de investimento também foram usados para esconder patrimônio: quatro deles acumularam mais de R$ 205 milhões, com crescimento acima de 200% em pouco tempo.
Entre os principais investigados estão Mohamad Hussein Mourad, conhecido como “Primo”, e Roberto Augusto Leme da Silva, o “Beto Louco”. A operação busca não apenas prender envolvidos, mas acabar com todo o sistema financeiro clandestino que sustenta o crime organizado no comércio de combustíveis.
As buscas desta quinta visam recolher novos documentos, computadores e provas que ajudem a mapear completamente a rede. O Ministério Público reforça que o grupo adaptou suas estratégias após as ações anteriores, trocando constantemente de empresas e plataformas digitais para escapar do controle das autoridades.
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